A redação do eminem

‘Falar que tema da redação do Enem é de esquerda é assustador’(http://www.sul21.com.br/jornal/falar-que-tema-da-redacao-do-enem-e-de-esquerda-e-assustador/) foi a notícia que me motivou a fazer o post.

Na verdade isso aqui é só um postzinho que eu ia por no Facebook acompanhado de uma notícia mas pensei “Ah, não tô a fim de encher essa página desse tópico mais ainda”.

Realmente, é assustador mesmo. Não só por parte de quem reclama da mesma — diga-se de passagem, vi mais gente comemorar como vitória e reclamar dos que reclamariam do tema que o contrário (talvez tenha limitado minhas redes sociais ao ponto em que ocorre um super filtro de chorume, mas sabemos que, sim, teve quem reclamasse). Limitar o tema (que é, tão meramente, isso, um tema sobre o qual dissertar, e não que deva ter sua veracidade verificada ou confrontada) é danoso para ambas as partes. À esquerda, que toma como vitória própria a atenção dada ao tópico (e que, até certo ponto é, de fato, ao crescimento constante da orientação pública à existência dessa realidade problemática, em especial posta em evidência pelo discurso feminista), e à direita, que refém das próprias caricaturas fica à deriva de uma esquizofrenia nada saudável (a de contestar a realidade de que vivemos, sim, numa sociedade onde a mulher está sujeita à violência de gênero). Contestar esse tipo de tópico para debate (e, portanto, cunhá-lo como ideológico) só não é mais maluco que fazer o mesmo com uma proposta de redação que diga “o céu é azul. Disserte acerca da afirmação”. Podemos (devemos, precisamos, e muito) comemorar, sim, que, enfim, em ao menos uma das escalas governistas (que faz, mas não faz o suficiente) um tópico de importância extrema recebe parcela da atenção que merece. Avançamos no combate à violência de gênero, certamente, mas a conscientização e manutenção das ações de combate a esse problema seguem ínfimas frente à resolução demandada (e merecida). Portanto, como dito previamente, comemoro, mesmo. Mas procuro (embora talvez não consiga) limitar essa comemoração a algo brando. Antes pudéssemos celebrar a extirpação do problema e não a maior conscientização, se qualquer coisa.

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