bad vibe do dia 30/11/2014

Último dia de novembro e, sei lá. Crises existenciais, crises de identidade ou seja lá o que for que me tira a paciência. Bem sinceramente, puro mimimi de dois dias de idade.

Mas um mimimi com o qual me desacostumei. 2014 foi e vem sendo muito impactante pra mim, socialmente falando. É como se tudo que eu sempre quis ser (ou tudo que eu sempre fui) estivesse, aos poucos, ganhando manifestação física e social, ao invés de apenas virtual. Quando algo me remete à introversão e inaptidão social gritantes que antes me assolavam, estas se manifestam de uma forma insanamente bruta, tal qual aprendi recentemente.


Talvez o ideal seja escrever sobre. Talvez seja falar sobre. Como eu não gosto de encher o saco das pessoas com meus mimimis (embora faça com mais frequência do que gostaria, já que minha vida é um eterno ciclo de mimimis), prefiro escrever aqui, que é “pra mim” (ft. quem mais quiser ler).

O Chespirito morreu. Fiquei mais triste que esperava com isso. Chaves teve uma parcela de importância grande em minha vida. Foda-se que o Chespirito era um baita direitista com tendências quase fascistas. Não me importa. Proporcionou, talvez sem querer querendo, à América Latina um dos maiores exemplos de identidade cultural que nós, países-membros de tal organização geográfico-política, já tivemos. Fiquei triste pela morte dele, mas acho que ele ficou aliviado.

Isso me remete à seguinte questão da minha crise-existencial-de-mimimi-obrigatória-que-ocorre-de-tempos-em-tempos, e diz respeito ao fato de que eu (talvez a gente) só vive pra satisfazer os prazeres mais fúteis e superficiais da vida. Não que seja algo necessariamente errado, mas, porra. Por que a gente tá aqui, afinal? Eu odeio essas perguntas. Eu odeio pensar em eternidade. Eu odeio pensar que talvez isso tudo seja uma provação. Pra mim não é nada, pra mim é alguma coisa que eu só vou saber no último segundo da minha vida. Talvez seja como num sonho que tive uma vez: durante o sonho inteiro, tentei solucionar um mistério. Ao fim, quando finalmente solucionei, estiquei meu braço e, em minha mão, materializei um revólver com o qual me matei. No mesmo instante, acordei no meu quarto. Nunca esqueci aquele sonho. Queria lembrar do que realmente resolvi nele.

Fora isso, autoestima baixa: o que condiciona esse fator? Pra mim, é pura falta de confiança na minha aparência física. A oitava série foi traumática pra mim. Nunca deixou de ser. Talvez eu nunca tenha superado ela. Ou o primeiro ano. Embora, no primeiro ano, eu já tivesse começado caminhar rumo à superação.

Mas como pode algo que me assombrou aos quatorze anos continuar, até hoje, afetando-me de forma a modificar em peso minhas relações interpessoais? Meus manifestos sociais, meus anseios por comunicação. Eu amo ficar com gente de quem eu gosto. Eu adoro conversar com gente estranha que acabei de conhecer. De verdade. Adoro conhecer gente nova, ter o papo furado e chato que sempre se tem quando se tá conhecendo alguém novo e permitir àquela pessoa ver o melhor que eu tenho pra apresentar. Mas tenho medo de ser chato, inconveniente, e todos os mimimis que não cabem a um cara de dezenove anos. Dezenove, não quatorze. Dezenove.

Aos quatorze anos, teriam base para defesa meus chororôs da vida. Minhas reclamações referentes à autoestima baixa, minhas decepções fúteis que, pra mim, talvez fossem as maiores do mundo. Hoje em dia, não. Não há espaço pra isso. E eu não quero dar espaço pra isso. Se dou, é de cara fechada. É querendo não dar. Creio que o fato de nunca ter encarado de frente os problemas psicológicos que 2009 acarretou seja uma de muitas raízes dos meus problemas sociais. Talvez por isso o contato com pessoas que faziam parte daquela realidade me remeta a esse sentimento de existência de uma subserviência de mim comigo mesmo.

Pra falar a verdade, mesmo em 2009. Mesmo em 2010, 2011 e 2012. Não me permiti ter um período de tristeza fútil manifestada. Sempre esteve ali, sempre estive rancoroso e reclamando da vida daquele ponto em diante. Mas sempre achei um crime querer reclamar da minha vida naquela época. Não me dava liberdade pro egocentrismo. Nunca dei. Talvez hoje dê demais. Mas preciso dar. Não é errado, e faço na medida do mínimo. Esses manifestos emocionais são um grande passo pra mim, pra falar a verdade. Ou deveriam ser. Acho que são, pouco importa também.

Quem sabe meu medo de abertura esteja também no constante temor de ser alvo de ~zoações~. Faria sentido. Faz. Pode ser. Tem sua parcela de culpa tal questão. Não que me importe com elas, sendo sincero. Já passei por cada situação que prefiro pensar que, quem sabe, a vida seja um agregado de histórias engraçadas que a gente protagoniza. E tristes, óbvio. Mas lembremos dos momentos constrangedores que são engraçados pros outros. Constantemente penso em relatar aqui minhas desventuras sociais dos últimos cinco anos — ou mais. Mas não é algo pra se pensar agora. Agora quero saber do meu egocentrismo esquecido há tanto. Quero me expor. Mesmo que não querendo. Chega dos “talvezes” e “podem seres”. É “sim” ou é “não”, e é “sim” mesmo que seja “não”. Quero minha extroversão de volta.

Em 2014 continuo sendo introvertido? Óbvio que sim. Mas de forma incomparável a 2009. Inclusive, nessas comparações e declarações que aqui faço entre um “eu” de 14 e um de 19 anos, deixo claro que há uma rejeição de mim mesmo, porque creio ser uma bobagem de tamanhos absurdos. Porque, como venho concluindo conforme o tempo passa, sou um tristíssimo caso de ambiguidades extremas. Sou um introvertido extrovertido, só pra começo de conversa.

Dá umas loucas de querer escrever sobre minha vida, de querer publicar textos que refletem pura e unicamente meu estado emocional e espiritual. Assim como uma vontade absurda de divulgar histórias que eu possa ter escrito ou querido escrever. Ao mesmo tempo, embora crendo de forma introspectiva na qualidade do meu próprio trabalho, temo — e muito — a recepção do mesmo. Acho que sei pouco demais, ou muito de menos. Acho que, independente do texto que eu escreva, vá existir abertura pra futilidade e superficialidade nele. Pra pseudointelectualidade. “Mas e as pessoas que gostassem do que você escreve/sse?” Justo. Tem isso também. E é esse o problema da eterna ambiguidade a que me submeto. Vejo todos os pontos, positivos e negativos. Quero aplicar tudo crendo que o positivismo apresentado vai vencer — mas deixo de praticar qualquer ação pelo medo da leve possibilidade do negativismo se sobressair. “E se ele se sobressai, o que acontece?” Porra nenhuma. Talvez um leve golpe na minha autoestima. Que não seria frágil como é se eu de fato não tivesse medo de rejeição da forma como tenho. É um ciclo vicioso que só pode ser quebrado a partir dessas ações estúpidas e pequenas, como escrever essa baboseira toda aqui.

Um conselho (pra mim e, assumindo que alguém no mundo leu isso e se identificou)? Man up. Seriously. Sem sexismo. Ou “bulk up”, pra remeter a Pokémon e não ficar sexista.

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