Você sabia que ele é trans?!

Confesso que isso vai ser rápido. Um corte limpo e preciso. E ele começa assim: não faça.

Na virada do ano, um momento de muita reflexão (e um pouco de bebida) pra mim, me peguei pensando na necessidade de algumas pessoas cis em assumir a MINHA identidade para pessoas que eu sequer conheço. Esse pensamento me ocorreu depois de, na praia, cercado de (muitas) pessoas cisgênero, quase meia-noite eu pensar: se essa galera soubesse que eu sou trans, eu estava bem fodido. Agora bem sei que talvez não, aliás, muito provavelmente não, mas naquele momento eu só sabia sentir agonia e medo.

Juro que entendo que para alguns a intenção de revelar isso não seja má, vexatória ou cruel. Nos tempos atuais eu vejo como uma tentativa torpe de se afirmar a desconstrução em pessoa (expondo pessoas trans você consegue o que? Confete?). Contudo, eu constantemente me pego pensando na necessidade. Eu não saio afirmando que pessoas cis…São cis. E acho que ninguém mais o faz. Então o que te faz pensar que está tudo bem em fazer isso comigo? Com outras pessoas? E o mais louco nisso: o que te faz pensar que eu ficaria feliz em saber da surpresa de outras quando descobrem que eu sou…Eu.

Por fim, é importante lembrar a cisgeneridade que não é uma questão de vergonha, na realidade não passa nem perto, posso afirmar que, pra mim, ser quem sou é um dos meus maiores orgulhos. Esse texto busca expressar mais sobre intimidade, segurança e o famigerado bom senso que qualquer outra coisa.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.