a culpa é TODA sua

Pedro Cavalcante
Jul 28, 2017 · 2 min read

certo dia estava olhando a linha do tempo do facebook e me deparei com uma dessas discussões que a gente prefere desaprender a ler na hora… estavam discutindo em uma publicação se seria correto dar o direito para mulheres abortarem em caso de estupro, não me lembro ao certo os detalhes do post, mas a discussão nos comentários se baseava nisso. um dos caras que estavam dentro dessa discussão comentou: ‘’eu acho que toda mulher deveria andar com uma camisinha na bolsa… caso acontecesse alguma coisa, ela poderia ser estuprada com segurança!’’

deixando de lado tudo que a gente sente lendo coisas desse tipo, (afinal, o foco do texto não é esse) comecei a pensar em quantas coisas são tratadas dessa forma…

nós nos adaptamos a problemas que não deveríamos ter aceito nunca!

ensinam mulheres a usar certo tipo de roupa pra não correrem risco de abusos, pedem mudança de comportamento público para que casais lgbts não sofram qualquer tipo de agressão, dizem pra pessoas que sofrem bullying não levarem as coisas que escutam a sério para não sofrerem por isso, tratam o racismo como vitimismo… como se o que de fato tivesse que mudar é a vítima e não o problema.

tratamos problemas como ‘’parte da vida’’ e nos sujeitamos á mudanças que só se tornaram necessárias porque fizemos aquilo se tornar uma verdade!

as vezes, pode parecer que nossa existência é baseada em se mudar por conta de vários problemas que já aceitamos… afinal, o mundo também te impôs o modo como a vida funciona! e se você não estiver dentro daquilo, você é imaturo, novo demais, não conhece a vida ou… morre de fome.

pra quem me conhece de tempos, desde moleque eu sempre gostei de pintar as unhas de preto, (reflete no que você pensou quando leu isso, afinal, tua crítica diz respeito) e claro, em um mundo fodido é um tiro no pé ser garoto, com 13 anos e pintar as unhas… mas o que mais eu escutava era: ‘’você acha que as pessoas acham isso bonito?’’, ‘’você não tem medo de apanhar na rua?’’, ‘’cara, vão te zuar demais, para com isso’’ pra uma criança de 13 anos, era ofensivo ser tachado de viado ou outras coisas… e obviamente o ambiente familiar era a mesma coisa! sempre se baseando no quanto eu tinha que mudar algo que gostava por conta do que iam achar de mim. (não acho essa situação o melhor exemplo do mundo mas é interessante compartilhar)

pode ser que alguém leia tudo isso, já tenha passado por situações assim, conseguiu simplesmente ignorar e me acha idiota por ter se importado com coisas assim… mas convenhamos né… eu não sou você!

pode ser também que pessoas mais velhas leiam e pensam que isso é revolta de gente nova demais que não conhece nada sobre a vida… talvez realmente seja! mas é bom aproveitar minha lucidez pra pensar em coisas assim antes que a vida que vocês julgam conhecer me chape e eu vire o que vocês são agora…

conseguem entender o tamanho da desgraça que isso se transformou?

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