Reflexões sobre a vida, o desamor e a desconstrução de imagens: meus aprendizados no primeiro semestre
Esse primeiro semestre de 2017 foi um dos períodos mais malucos e difíceis da minha vida. Período de grandes mudanças, conflitos internos, e acredito que um dos grandes motivos foi a perda da minha avó. Além de extremamente dolorido, isso marcou uma fase de transição de ciclos importantes pra mim. Foi uma fase de descobertas (boas e ruins) e vivências de sentimentos que me transformaram e me amadureceram (pelo menos, sinto-me assim). Exponho isso, porque, de certa forma, quando escrevo sobre mim, sinto que minha alma fica livre dos pesos, das dores, das frustações. Ela apenas é e quem me lê, pode enxergar-me de forma mais plena e verdadeira. Essa ansiedade, que me grita, por vezes, me consome, se desprende de mim na poesia, no conto ou, simplesmente, nas palavras soltas que eu escrevo.
Sendo assim, depois de quase sete meses tentando transitar pela dor da(s) perda(s) e aceitar as mudanças da minha vida, das pessoas, do mundo ao meu redor, decidi escrever (externar), os ensinamentos que eu tive nesses meses, para que eu possa enxergar os próximos dias com mais clareza, mais realidade, jamais deixando a minha essência de lado, mas sabendo a hora certa de calar, de falar, de escutar, de me doar, de apenas silenciar a minha alma.
- Você precisa aprender a lidar com a solidão. Por mais amigos que você tenha, haverá dias em que você vai se sentir sozinho e é preciso saborear essa ausência de companhia para que você entenda os seus vazios e possa preenchê-los (se isso for possível), ou entender o que precisa ser mudado e o que eles querem te mostrar. Eu, pelo menos, acredito que tudo o que a gente vive é para nos preparar para algo melhor. Tudo ensina, mas precisamos ser humildes para querer aprender.
- Nem todo mundo que está perto é seu amigo. Sempre estive rodeada de pessoas e sempre gostei de me sentir assim. Porém, de tantos “amigos” que eu considero, percebi que, de fato, amigos mesmo, são poucos. O que existe é um volume de pessoas aleatórias. E esse volume de pessoas não me acrescenta, não me conhece, e aprendi que eu não posso confiar em todo mundo. Então não é necessário ter quantidade, mas, sim, qualidade de pessoas perto de você. Pessoas que torcem por você, que se importam com você. Que sejam de verdade. Não que apenas te procuram quando precisam e sabem que você não vai virar as costas.
- Você não precisa ser o bom samaritano, muito menos, legal com todo mundo. Quem me conhece sabe o quão acolhedora eu sou, principalmente, quando eu percebo que a pessoa está sofrendo. Eu não julgo seu passado, eu quero lhe oferecer o colo e fazer a pessoa se sentir bem novamente. Mas às vezes, isso me envolve em problemas que não são meus, que me deixam mau, que me pesam, que me tiram o sono. Então, se quer um conselho, não se doe tanto, principalmente, se essas pessoas não fazem parte da sua história e do seu dia-a-dia. Você não precisa ser o “legal” com todo mundo. Às vezes, isso vai te envolver em problemas que você nem precisaria passar. Isso não vai te garantir um lugar no céu. Se prive mais dos sofrimentos alheios.
- Não magoe as pessoas que se importam com você por não saber lidar com a situação. Sabe quantas pessoas que estão perto de você, realmente, se importam com a sua felicidade e o seu bem-estar, sem esperar nada em troca? Não são muitas. Talvez, tirando seus pais e seus irmãos, ninguém pense assim. E se você tem alguém que realmente, sinta algo verdadeiro por você, não estrague tudo mudando o comportamento. Seja verdadeiro, converse olho no olho. Talvez, sua intenção nem seja magoar, mas o fato de você não ter coragem para confrontar os sentimentos, os problemas, os desentimentos, o que você acha que está acontecendo, faça com que pessoas legais se afastem de você. E depois, talvez, não haverá volta! Nada será como antes.
- Todo mundo que passa pela sua vida, leva algo e deixa algo. Um dos meus maiores medos sempre foi que alguém que fizesse parte da minha rotina e me conhecesse de verdade, se tornasse apenas um conhecido do outro lado da rua ou mesmo um estranho. Mas pessoas vêm e vão, não é mesmo?! Dói quando o silêncio substitui uma conversa que era natural, fácil, de bobeira, regada a risada, conselhos, troca de confidências e confiança. Mas pessoas e lugares mudam. Tudo faz parte de um ciclo e um plano bem maior. Talvez, o que nos resta é entender o que aprendemos nessa fase, nesse relacionamento, nessa amizade e guardar as lembranças como um tesouro que é só seu e que ninguém poderá tirar. Aprenda a seguir em frente.
- Se adapte às mudanças. Tudo vai mudar e por mais frustrante que pareça, precisamos aprender a lidar com isso. Isso faz parte do evoluir e não podemos ficar nadando contra a maré a vida inteira. Às vezes, nos pesamos por não querer aceitar que as coisas podem melhorar, mas precisamos aprender a olhar a vida de forma rotatória. Mude e aprenda. Não tenha medo de mudar o cabelo, mudar o estilo das roupas, os hábitos alimentares, o trabalho. Se adapte a tudo que está a sua frente e se reinvente de outra forma.
- Veja o lado bom das coisas. Nem tudo é 100% ruim. Jamais. Pare de apontar o dedo pras coisas negativas e saiba elogiar tudo o que deu certo. Sim, o mundo não precisa de tantos críticos. Ninguém nasce sabendo, mas com pasciência e determinação, ou vontade, todo mundo começa a se destacar. Ajude! Deixe o egocêntrismo de lado e coloque a mão na massa. Sabe, pare de ser individualista e comece a ser plural. Quase sempre nós (eu) criamos um muro em volta de nós mesmos que não nos permite enxergar além. Abaixe a guarda e caminhe junto.
- Se reserve. Não! Você não precisa publicar e contar tudo o que faz, o que você quer, o que você deseja, com quem você vai sair e, muito menos, chamar a torcida do Flamengo pra ir junto. Seja discreto um pouco sobre você. A vida vai fluir melhor. E os momentos serão mais bem vividos e aproveitados sem expectadores, pois serão reais. Também, aprenda a se calar. Não precisa dar sua opinião pra tudo. Às vezes, a melhor coisa é só escutar. Ah! Não precisa saber tudo também. Quase sempre, é melhor ficar de fora.
- Você vai se decepcionar com as pessoas e vai ter que aprender a seguir em frente. Nesses meses, eu desconstrui muitas imagens de pessoas que sempre achei fantásticas. Isso me doeu. O comportamento do ser humano me doeu de forma profunda. Precisei desconstruir imagens e conceitos. Cheguei a me perguntar “quem são essas pessoas quando ninguém está olhando?”. E precisei aprender a lidar com isso. Afinal, as pessoas são falhas. Mas se você puder escolher, seja você. Apesar de tudo seja você. E seja do bem. Por favor? Não construa uma imagem besta nas redes sociais, se em quatro paredes, com a família e quando não existem expectadores da sua vida, você não é isso. Não demonstre amor e sentimento, se não existe. Isso é falsidade. É ser mediocre.
- Quando o assunto te pesar, pare de falar nele. Cada vez que você se sentir pesada ao escutar sobre um assunto ou falar nele, PARE! Comece a pautar melhor a sua conversa. Deixe a raiva, o ódio, a mágoa, o rancor pra lá. Se isso faz com que seu coração fique pesado e negativo, tire isso da suas palavras e do seu pesamento. Se você puder resolver, faça. Se você puder seguir em frente, vá. Mantenha o pensamento leve. A vida leve. Distribua melhor suas energias com coisas boas.
- Fique perto de pessoas apaixonantes. Saí da faculdade de Jornalismo com o sonho de mudar o mundo. Agora sei que não posso, mas ainda acredito que posso fazer a diferença (no mundo ao meu redor!). Acredito que pessoas apaixonadas movem o mundo. Fique perto dessas pessoas. Elas vão te ensinar a viver melhor. Vão te ensinar a acreditar e ter fé que as coisas podem mudar. Elas vão te ensinar a procurar soluções e não a achar problemas. Você vai perceber que tudo é possível. E é! Às vezes, ficamos presos às frustrações e perto de pessoas negativas que só reclamam. E o costume nos faz pegar esse hábito pra nossa vida. Se autoavalie e mude, se afaste e verá que a energia boa vai começar a iluminar o seu caminho.
- Não seja egoísta! Sempre me importei muito com as pessoas. Me deixei muito de lado pra tentar fazer o melhor pelos outros. Acabei me esquecendo em algum espaço do tempo em algumas histórias. Agora sei que não posso me doar a ponto de não sobrar nada pra mim. Mas todo ato e escolha gera uma consequência. Se existem mais pessoas na história, será que é possível pensar só em você? E a consideração pelo outro? Pela história que o outro fez parte? Será que uma felicidade momentânea baseada no sofrimento alheio pode ser sincera e válida? Até que ponto o “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”, passou a valer apenas quando você é a vítima? Quem você é de verdade no meio disso tudo? É válido uma reflexão, né!
- O que você sabe são versões, portanto, é melhor não julgar. Sempre há dois lados da moeda, ângulos diferentes, vivências diferentes, visões diferentes. Você nunca saberá o que se passa na mente das pessoas ou na sua vida, então, não tome lados. Não faça julgamentos sem conhecer a história do outro.
- Pare de reclamar e aja. Não fique esperando o mundo ficar favorável para você mudar. Mude de onde você está. Tente melhorar o que está errado com você e tente ser feliz. Pare de achar que o mundo precisa mudar sua rotação, para que você tome atitudes na sua vida. Não! Seu mundo, seu universo, seu interior. Mude por dentro e não deixe que as coisas externas corrompam a sua paz, a sua personalidade, a sua essência. “Saia do lugar, você não é uma árvore”.
- Silencie sua alma e seja de VERDADE. Se interiorize um pouco. Se conheça. Entenda quem você é. Não se torne o que as pessoas querem que você seja. Seja verdade. Seja você mesmo.E se não gostar de quem e do que é, mude. Recomece quantas vezes precisar. Deixe sua alma florescer, e saiba que silenciar é muito importante para isso. Seja Feliz. Mas saiba que a felicidade está nos momentos. Aprenda a curtir as pessoas e os intantes. Eles vão se tornar lembranças. A vida só anda pra frente. Não se feche para o mundo. Se existem feridas abertas, busque tratá-las e se dê uma nova chance.
E por fim…
- Quando as lembranças ainda não substituirem a dor da perda, pense que no céu, alguém olha por você. Por último e mais importante, deixo aqui a minha mensagem, a razão por todas essas mudanças e conflitos que aconteceram em mim, a perda da minha amada vó Maria. Essa dor que me acompanha há quase sete meses, que me deixa irritada e pensativa sobre a vida, sobre o encerramento dos ciclos, sobre a ansiedade de mostrar carinho antes que tudo se acabe. Não faço muitas orações pra Ela, porque eu tento nem pensar, muito menos falar, que ela partiu. Isso me dói muito ainda. Apesar de ter ficado com ela até o fim, me culpo por não ter dado o último adeus, pois não sabia que seria a última vez que eu a veria viva. Se soubesse, não teria ido embora, não teria me deixado levar pela dor, pelo esgotamento físico e emocional… Quando rezo, peço pra sonhar com ela, para que possamos ter nosso último encontro e eu possa abraçá-la de novo, olhar nos seus olhinhos serenos e dizer que a amo e sempre vou amar, e escutar ela me dizendo o mesmo. Sentir nossa sintonia que era e sempre será única. Contar minhas histórias e ouvir seus sábios conselhos… Eu não sei se o céu existe, mas eu prefiro acreditar que sim. E que a minha vó está lá rodeada de anjos olhando por mim, me acompanhando a cada passo que eu dou e me influenciando de forma positiva em todas as mudanças da minha vida. Ela sabe que meu choro ainda é pela dor da saudade, mas que logo, as lágrimas vão secar e as lembranças vão me trazer sorrisos. É por ela que tento ser melhor. Um ser humano melhor. Onde a senhora estiver, olha por mim!
Então, por último, apenas deixo essa mensagem: VIVA! Viva de forma intensa, com as pessoas que são importantes e que somam na sua vida. Tenha boas histórias para contar e recordar. Ria de você mesmo e aproveite ao máximo. Aprenda com os erros. Se renove. Mantenha seu coração limpo. Não se deixe levar por coisas ruins. Seja você!

