a dor

Volta e meia escrevo poesias. Costuma ser estranho. Porque nem sempre respiro poesia. Uma grande amiga do sertão da Bahia costumava falar que eu não virava o disco, que as minhas poesias eram todas iguais. Achei engraçado, pois só quando ela sinalizou que me dei conta de fato. Augusto recentemente me pediu umas poesias para gravar com a Órbita Móbile. Fiz várias e ele não achava que estavam sinceras o suficiente. Pedia para eu aproveitar a dor, não ter medo de expor o que eu estava sentindo. Mas é sempre tão complicado partir para o autobiográfico quando o auto envolve outras nuances.

Em resumo: há alguns meses escrevo sobre dor. Escrevi um artigo sobre dor e trauma, porque quando vi a Emmanuelle Riva no papel da mulher de Hiroshima mon amour, logo pensei: essa também sou eu e é isso o que sinto! Mas a dor me parece um ciclo vicioso do qual me vejo obrigada a sair. Volta e meia escrevo poesias, mas quero tratar de assuntos mais tranquilos. Flores e samba, que tal?

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