Felicidade se compra sim!

Vamos começar do começo…

Muita gente vem conversar comigo pra falar de dinheiro. Isso acontece diariamente, já que eu trabalho na área Financeira : ) Porém, de uns tempos pra cá, a galera está interessada também em saber como eu organizo o meu dinheiro. E isso é muito legal! Não por eu ser referência para alguém nesse sentido, mas sim pelo fato das pessoas estarem interessadas em algo tão ignorado por muitos. Decidi então começar a escrever um pouco sobre como eu lido com o meu dinheiro. Vocês vão ver que tem mais “humanas” do que “exatas” nisso aí.

Importante dizer que a forma como eu levo isso na minha vida é de constante aprendizado e que aquilo que funciona pra mim não necessariamente funciona pra todo mundo.

Mas, antes disso, queria fazer o primeiro texto sobre algo um pouco estranho. A minha teoria de que felicidade se compra sim.

Encontrando a infelicidade

É claro que os tempos de hoje oferecem oportunidades de trabalho mais agradáveis do que no passado. A ideia de que olhar para as pessoas com mais atenção é algo estratégico acabou contaminando muitas organizações, que, por sua vez, buscaram/buscam formas de cuidar do bem-estar dos funcionários. Entretanto, isso não é unanimidade e tem muita estrada pela frente.

Dito isso, chegamos na parte em que as pessoas são infelizes no trabalho. E eu não estou falando das pessoas que possuem problemas no trabalho, pois isso não dá pra fugir. Eu estou falando de pessoas realmente infelizes. Você é uma delas? Se liga em algumas características:

1. Olhar constantemente para o relógio do computador esperando dar o horário de saída;

2. Esse relógio parecer mais lento que o Rubinho Barrichello;

3. Alívio na sexta-feira;

4. Ansiedade no domingo;

5. Idas constantes ao banheiro para simplesmente estar com você mesmo;

6. Olhar vazio no caminho de ida ao trabalho;

7. Exaustão no caminho de volta pra casa;

8. Tédio constante;

9. Sensação de estar fazendo o trabalho para alguém/algo e não por alguém/algo;

10. Medo que o seu chefe te peça alguma coisa.

[OBS 1.: Essas são algumas características que eu escolhi por ter acontecido comigo; OBS 2.: Estou escrevendo sobre infelicidade em uma parte do dia (trabalho). Estou deixando de lado aqui outras partes da nossa vida].

Razões pra isso? Existem várias! Você pode ter escolhido uma profissão por pressão externa ou cedo demais, não fazendo assim aquilo que te faz brilhar os olhos, estar em um ambiente hostil, trabalhar com pessoas hostis, enfim.

O ponto que eu quero chegar aqui não é a causa da sua infelicidade, mas sim o que te mantém preso a ela. E esse ser oculto, em muitos casos (creio que na maioria), se chama dinheiro.

Bora fazer uma reflexão juntos? Então, vamo lá!

Se não fosse por dinheiro, você ainda estaria fazendo o que você faz hoje?

Se não fosse por dinheiro, o que você estaria fazendo?

Se não fosse por dinheiro, onde você estaria fazendo o que você gostaria de fazer?

Se não fosse por dinheiro, com quem você estaria fazendo o que você gostaria de fazer?

(Essas perguntas são poderosas e merecem sim um tempo maior para serem pensadas. Porém, não desmereçam as primeiras coisas que aparecerem na cabeça de vocês. Elas podem dizer muita coisa).

A ideia do dinheiro como fim e não como meio normalmente explica a nossa relação com ele. Vou falar disso em outro momento, mas fica com essa intriga aí.

A Teoria

Bom, continuando, a redução salarial pode ser considerada sim uma barreira gigante pra quem está em busca de uma transformação positiva na vida. E se você se identifica com isso, tá tudo bem. Você não tá maluco. A decisão não é simples e é mais que compreensível a gente dar de cara com esse muro. Para alguns, esse muro pode ser baixo, para outros pode parecer a Muralha de Gelo de GoT.

Costumo dizer, por outro lado, que quando você está infeliz, você está a duas letras de estar feliz. Isso quer dizer que você já sabe o que te deixa mal, você já sabe por onde começar. Agora é procurar formas de mudar esse cenário.

Mas e se a gente visse essa situação de uma forma diferente? Queria convidar vocês a finalmente entrarem na minha teoria.

Quando eu pedi demissão do meu antigo emprego para trabalhar no Brownie, eu escolhi deixar de ganhar R$5.000,00/mês para ganhar R$900,00/mês. Uma puta redução no salário, certo? Depende! Eu programei minha mente nessa época para não aceitar a diminuição na receita, mas sim para considerar um aumento nos gastos. Ficou confuso? Deixa eu explicar.

Para mim, trabalhar no Brownie era sinônimo de momentos felizes. Eu estava rodeado de pessoas maravilhosas, em uma empresa admirada pelos clientes, podendo cantar alto, podendo dançar no meio da sala, podendo fazer piada sem medo de julgamentos, podendo fazer reunião com o gerente do banco de regata, podendo participar de projetos e discussões com uma finalidade positiva para o mundo! Ufa! Legal! Vocês já devem estar cansados de me ver falando disso, mas o importante era que eu ia encontrar a felicidade que naquele momento eu buscava.

E, naquele momento de vida, naquela situação específica, eu estava comprando a felicidade por R$4.100,00/mês. Exatamente a diferença entre o que eu ganhava e o que eu ia passar a ganhar. Se liga na tabela que compara a minha vida financeira no mês de infelicidade com o mês de felicidade.

Observe que a grana que “entra” é a mesma. O que mudou foi a forma que eu “gastei” o dinheiro.

Duas coisas que ficam escancaradas é que eu passei a investir mais na minha felicidade e a gastar menos com outras coisas. E, para cuidar desse segundo ponto, eu me vi forçado a planejar minhas finanças de forma diferente e aprender coisas novas que tornassem essa parte da vida mais eficiente. São essas coisas que eu quero dividir com vocês nos próximos textos.

Em relação ao primeiro ponto, vocês perceberam que eu usei o verbo “investir” quando eu falei de felicidade? Nessa minha teoria, ela não é uma despesa, ou seja, aquilo que a gente gasta sem visar retorno financeiro. Ela é investimento, que é o gasto com expectativa de retorno financeiro sim! Foi exatamente o que aconteceu comigo. Eu fui conseguindo crescer no Brownie e aquele preço pelo qual eu comprava a felicidade todo mês foi diminuindo até se transformar em nada. E isso não só pelo aumento da renda, mas também pela mudança mental e de organização da minha vida.

Isso tudo pode parecer bobo, mas vocês não têm ideia de como ficou mais fácil essa transição.

Demandou disciplina? Demandou disciplina! Só que com a cabeça boa e a energia que os dias felizes te dão ao longo dessa adaptação, tudo fica mais sereno. E a sensação é que as coisas vão acontecendo naturalmente.

De quebra, gera-se uma economia com todos os gastos que a gente tem quando estamos sob estresse. Vou falar disso mais a fundo em um outro momento também, mas usamos o consumo para compensar a semana terrível que tivemos no trabalho. Isso é refletido em comida, remédio, roupas, acessórios etc.

Finalizando

Se você quer ser maquiadora, por quanto você vai comprar sua felicidade? Se você quer ser professor, por quanto você vai comprar a sua felicidade? Se você quer ser artista de rua, por quanto você vai comprar a sua felicidade? Se você quer ser músico, por quanto você vai comprar sua felicidade? Por quanto?

Sabendo isso, a gente pode começar a planejar junto essa transformação. Só não deixe essa muralha te congelar. Busque internamente o seu dragão de gelo e derruba a porra toda!

Um dia, eu li uma frase que dizia: “Dinheiro é igual sombra: se você vai tentar pegar, logo foge; mas se você virar de costas e anda pra frente, ela te segue”.

Hoje, depois de todo esse processo, eu finalmente posso dizer que felicidade não tem preço. Mas teve. E eu não me arrependo de nenhum centavo que eu gastei. E agora? Vamos andar pra frente também?