Marketing Digital não é uma coisa só.

A urgência por resultados rápidos se confunde com o verdadeiro objetivo desse campo de atuação: a geração de valor.

Quando decidi estudar Marketing Digital, por grande influência de uma amiga da faculdade, confesso que não fazia ideia do que me esperava. Mas, assim como na graduação em Comunicação Social — Jornalismo, me deparei com uma quantidade considerável de possibilidades. Por ora, isso me assustou porque, afinal, muitos caminhos podem levar a algum lugar ou simplesmente a lugar algum. Em outras palavras, as inúmeras estradas provenientes da opção pelo Marketing Digital poderiam não me levar a nenhum resultado concreto e imediato.

Com o passar dos anos e a profusão de novos conceitos e ferramentas, porém, ouvi falar que essa era uma das áreas mais prolíficas e respirei aliviada. Por outro lado, a experiência em algumas empresas me demonstrou que o Marketing Digital sofre dos mesmos males que tantas outras funções, ainda nebulosas no contexto empresarial, e que seu próprio valor se perde em exigências e mal entendidos. Afinal, o que se espera dessa área e dos profissionais que atuam nela?

Photo by Emily Morter — Unsplash

Marketing Digital não é só Internet.

Essa declaração pode chocar os mais xiitas, mas fica menos confuso de entender se considerarmos que Marketing Digital é fundamentalmente MARKETING. Ainda que se dedique a projetar e executar para canais digitais, e apesar das suas diversas definições e conceitos, sua função primordial é criar valor para pessoas. Isso extrapola a barreira do quê elas consomem, e atinge o como, o porquê e outros aspectos da experiência e da interação com marcas, conceitos, produtos, serviços etc.

A tabela proposta por Philip Kotler e cia no livro Marketing 3.0 ajuda a visualizar melhor:

KOTLER at al, Marketing 3.0 — As forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, p. 6.

Marketing Digital não é só anúncio.

Quem viveu os “anos dourados” das redes sociais percebe que os objetivos mudaram. Como grandes marcas com fins lucrativos que são, muitas delas optaram por sobrepor os interesses dos usuários e modificaram seus próprios modelos de negócios. De sociais essas redes passaram a ter muito pouco, e hoje são espaços publicitários tanto quanto outros veículos.

Muitos acreditam que basta meia dúzia de anúncio para atrair pessoas ou “converter” clientes. Esquecem, contudo, que anunciar é a ponta de um processo — essa palavra assusta, né? — de relacionamento que exige atenção e estratégia, e que não se resolve em uma semana.

Marketing Digital não é só “fazer um post ali rapidinho”.

O conteúdo é rei, você já deve ter ouvido falar. Mas sem a preocupação com a identidade da marca e do público ao qual ela quer se direcionar, a estrutura, o profissionalismo, a mensagem-chave e tantos outros aspectos relevantes ele se torna tão vazio quanto bolso de assalariado no fim do mês.

Esse não é um desafio novo: a Comunicação já o enfrenta há muito tempo. Jornalistas, por exemplo, sempre escreveram e produziram conteúdo, e mais recentemente precisaram se adaptar às pressas para sobreviver. No âmbito empresarial, porém, sempre foram negligenciados e renegados a funções mecânicas, sem chance de explorar habilidades e técnicas a favor da geração de valor.

Marketing Digital não é só “criar um layout bacana”.

Assim como os comunicólogos, os designers também tiveram suas funções reduzidas a um template ou a prazos urgentíssimos, quando, na verdade, o Design tem um papel primordial na criação de significado. Esse significado, por sua vez, independe apenas da vontade da empresa que criou a marca, mas sim das pessoas que vão interagir com ela, usá-la e se apropriar dela no dia a dia.

Não à toa, muitas consultorias e organizações hoje usam o Design Thinking — ou pensamento do Design — para se aproximar dessas pessoas e entender seus anseios, necessidades e percepções.

Mas então, o que é o Marketing Digital?

Estou muito longe de saber como definir um campo que se modifica todos os dias. O fato, entretanto, é que sinto falta de um retorno aos princípios básicos da coisa, ao “feijão com arroz” simples, mas que cumpre sua função. Criaram-se tantos conceitos, truques, “mágicas” e técnicas que mais complicam do que esclarecem, dificultando até mesmo para nós profissionais compreendermos qual é o nosso papel, para que serve nosso trabalho, e o que é, afinal, esse valor ao qual tantas vezes nos referimos.

Quero começar a entender melhor do que as pessoas precisam para desenvolver suas ideias. Se quiser ajudar, pode começar clicando aqui e respondendo este questionário.

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