Documentário Human: um exercício de empatia

Humano — uma viagem pela vida, documentário dirigido pelo francês Yann Arthus-Bertrand, estreou nos cinemas brasileiros em outubro de 2016 e recentemente entrou no catálogo da Netflix. Mais do que um filme, a produção é um projeto grandioso e impecável. Dezenas de pessoas, de diferentes nacionalidades, etnias, religiões, gêneros, cores, línguas, profissões e classes sociais foram entrevistadas sobre assuntos caros a existência humana, como a felicidade, a morte, a pobreza, desigualdade de gênero ou o sentido da vida.

Foto: Divulgação

Durante muitos minutos acompanhamos uma montagem primorosa que mescla trechos de depoimentos dessas pessoas, imagens aéreas espetaculares de diversos lugares do mundo e músicas emocionantes. É tudo muito impactante. Não ouvimos apenas histórias de vida individuais de pessoas anônimas. São histórias que juntas, por mais distantes que pareçam, constroem a história da humanidade. Cada um desses desconhecidos é importante para a narrativa da vida, da sociedade. Percebemos a partir deles que somos parte de um todo. Cada olhar dessas pessoas em close, por vezes demostrando o pesar de suas existências, contraposto com imagens de multidões e de espaços grandiosos, nos dá a dimensão e a complexidade do que é viver.

Tecnicamente a produção é espetacular, a começar pelo trabalho de produção que deu conta de encontrar pessoas tão diversas, mas tão potentes em suas falas. As entrevistas foram gravadas com as pessoas na frente de um fundo preto e seus rostos em close-up. Ali temos uma dimensão do individual. Nesse momento elas demonstram o quanto são iguais e diferentes entre si. O quanto suas histórias se relacionam. Depois temos as imagens aéreas que dão uma noção de todo, de contexto, de espaço, de interação e integração. De que não estamos sozinhos e nossas vidas se cruzam pelo mundo. De que não somos o umbigo desse mundo. Ele é grandioso e múltiplo.

No geral, o documentário é mais do que um registro, é uma lição sobre empatia. Sobre ver o outro, olhar nos seus olhos e ouvir sua história. Não apenas sobre se colocar no lugar de outra pessoa, mas sobre entendê-la, perceber sua complexidade e subjetividade, contexto social, político e cultural, ainda que não concordemos com ela.

O longa foi concebido em três versões. Duas para o cinema, com uma mais longa e outra menor, e uma para a televisão. Além disso, é possível assistir material extra no youtube. Como no filme as pessoas falam por poucos segundos, existe um material mais completo de cada uma das entrevistas individuais. Algum dos entrevistados te tocou mais? Quer ouvir mais de seus depoimentos? Clique aqui

Cada segundo dedicado a conhecer todo esse material é com certeza um tempo muito bem investido. Humano é provavelmente o documentário mais forte dos últimos tempos. Merece ser visto e divulgado. Nenhuma palavra será capaz de descrever o quanto essa obra te transporta e faz sentir as dores e as alegrias da vida. É impressionante a profundidade de sentimentos que um filme pode despertar. Esse é um grande representante do poder do cinema.