Eu sou bissexual.

Nada fazia mais sentido e eu evitava esse pensamento a todo custo.

Encabeçar um texto com essa frase representa pra mim uma nova etapa de vida. Ela é cheia de medos, de tabus, de luta e libertação.

Eu já desconfiava que havia algo… diferente comigo quando eu ainda era uma criança. Nas brincadeiras de casamento, nunca me importei em ser o homem, mas eu não tinha interesse em ser um menino e isso era bem claro pra mim. Mas, de repente, as brincadeiras começaram a ter casais de verdade (com as Barbies e os colegas de classe) e não houve mais essa “necessidade” de ocupar um lugar que “não era meu”. Afinal, meninas e meninas não podem ser um casal, certo?

Quando um certo anime da minha infância trouxe um personagem andrógino, algo afeminado, como um dos personagens principais e a minha atração por ele era clara e óbvia, eu pensava que era “inusitado”, mas só isso. Afinal, as outras meninas não gostavam dele e ainda faziam “brincadeiras” homofóbicas (que sociedade péssima ensina pra crianças ofensas com a sexualidade alheia?!).

As coisas foram ficando um pouco mais confusas quando eu comecei a ouvir as amigas reclamando dos “ficantes” e começava a imaginar como eu levaria uma relação com elas, o que faria diferente deles. Mas isso pra mim era empatia. Comecei a namorar um cara (claro, uma relação abusiva) e durante muito tempo essa minha característica ficou adormecida. Na faculdade as coisas ficaram meio complicadas quando eu comecei a ter sonhos eróticos e românticos com uma colega de sala. Nada fazia mais sentido e eu evitava esse pensamento a todo custo.

Até que, há uns anos atrás, quando conheci uma garota por quem me interessei, comecei a me questionar se estava sentindo atração pra agradar homens (o famigerado fetiche por “bi feminino”) ou se era algo meu. Bem no início da minha caminhada feminista, surgiu essa dúvida imensa se eu estaria reproduzindo machismo. Acredite, foram ANOS de questionamento e falta de aceitação. Eu me achava uma aberração completa. Não aceitava de jeito nenhum que fizesse parte de mim.

Foi quando entrei em um grupo do Whatsapp (sim, não só de nudes e putaria vivem os grupos! Tem coisas muito interessantes, se você souber onde procurar) e comecei a pesquisar mais a respeito e as coisas começaram a se esclarecer na minha mente. Mais do que isso, desenvolvi um crush por uma amiga trans. Foi quando tudo fez sentido.

A partir de então, me senti livre para olhar mulheres e homens nas ruas, nas baladas, nos grupos de amizade. Tive um medo libertador, que me permitiu abrir novas possibilidades para uma vida que era completamente minha.

E com isso, começou mais uma luta diária, mais um motivo para bater o pé e bater de frente. Comprei mais uma briga contra o preconceito.

E segue o baile, porque ele não pode parar NUNCA.

)

Beatriz Torres ~ Bia❤

Bissexual, feminista, não mono. "O modo como você reúne, administra e usa a informação determina se vencerá ou perderá." ~ Bill Gates

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