PRAZO DE VALIDADE VENCIDO

Antônio Alves
Oct 14, 2019 · 4 min read
Paulo Pinto / saopaulofc.net

Por Antônio Alves

Até eu esperava o rumo que sucedeu-se neste jogo com o alvinegro paulista. Com isto, quero dizer na verdade que até o mais pessimista dos tricolores poderia esperar um domínio do time, já mais familiarizado com os conceitos de Diniz e embalados por o que me parece ser um ambiente distinto do que o Soneca, da Branca de Neve. E por Soneca, me refiro novamente a outra coisa. Neste caso, o Cuca. Que de Cuca só tem a sandice do orgulho frágil como uma taça de cristal.

Todavia a assimilação de ideias soou disforme, principalmente da primeira metade do primeiro tempo no Morumbi. Um São Paulo com clara dificuldade de passar do segundo terço do campo tentou, sem frutos, lidar com a tática de Carille em transformar o meio-campo corinthiano na própria estação da Praça da Sé. Incapacitado em trabalhar a bola, o São Paulo tentou ouvir os conselhos da partida passada, contra o Bahia, e deu-lhe logo uns oito chutões da intermediária. O problema é que o jogo era outro e, no caso, a melhor forma de livrar-se dos trabalhadores cansados do Corinthians era justamente passar pelo contrafluxo dos lados do campo. Isso veio a ser efetivado num segundo momento.

No primeiro, no entanto, vimos um Luan determinado por um jogo, que para si, deve ser histórico. Isso porque estreou — e bem — contra um Corinthians menos sonolento e mais ávido no ano passado. Foi um jogo protocolar, não tão efetivo mas de qualidade do São Paulo, ostentando ainda a troca de passes com Volpi; o que, na minha opinião, só serve quando o oponente sente a sede inexorável do gol — o que menos aconteceu nestes dois últimos jogos. Salve engano, não lembro-me de qualquer jogada tricolor que tenha se desenrolado a partir da abertura de espaços no campo provenientes dessa troca de passes. Mas é como diria Bauza: “aber”. Até lá, defenderei Volpi e o bico de sua chuteira até a morte.

Imagino que seja a hora de admitir que nosso Hernanes já está fora de forma há algum tempo, acredito que física e psiquicamente. O admiro muito, “o profeta”, mas só a retórica num âmbito futebolesco não leva ninguém a lugar nenhum. O professor Sócrates não me deixa dizer o contrário. Se eu fosse maldoso mesmo, diria que Hernanes joga em um campo distinto de seus semelhantes, num coberto de pixe que forra o gramado do Morumbi. Isso acaba sacrificando a velocidade que teria com Igor Gomes — que neste jogo não entrou tão bem — e tão efetiva para a criação de jogadas num esquema de Diniz.

O gol de Reinaldo foi uma bonificação daquelas ordinárias do futebol, uma vez que estamos falando de futebol e não existe premiação por bom desempenho e nunca haverá. Dado indicativo da falta de eficácia são-paulina está no fato do nosso lateral esquerdo ter o mesmo número de gols do artilheiro da temporada — que reunirá quase 4 meses desfalcado com a recente lesão — e também o maior finalizador do time. Um dos principais desafios de Diniz passará pela análise cuidadosa desses dados. A mim, cabe a esperança de que o ideólogo prossiga sua boa fase. Até agora, Diniz tem sido mais anti-Diniz do que qualquer coisa. Talvez seja uma das boas respostas a quem estava preocupado com sua “falta de resultados” e “displiscência” em acreditar num estilo de jogo. Pois eu prefiro um técnico que se atenha a um ideal guardiolesco a um simeonista. Seu Cuca que o diga.

Dentro do contexto do jogo, no entanto, o gol acabou sendo conveniente. O São Paulo voltou pronto para jogar pelos lados. Em uma das melhores chances, Vitor Bueno, numa consistência invejosa que deve iluminar os olhos de qualquer técnico, deu um golpe de vista tanto em Cássio quanto em si, quando seu cruzamento tocou no travessão e foi para fora. Esta foi mais uma das decorrentes finalizações pelo lado que o São Paulo passou a acatar na segunda metade. Resultado disso foi o espaço aberto para o meio campo poder tocar bola e Bueno vir de trás para criar um perigo a nível da penalidade que foi marcada.

O plantel do tricolor volta esta semana reforçado com a volta de principais jogadores após as inúteis convocações para amistosos de uma seleção mais entediante de se ver do que o próprio Corinthians. Para mim, apenas mais um indicativo de que está azedando o Titebol.

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Jornalista e escritor. Te convido à minha mesa para ler o que eu tenho para falar.

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