A beleza das pequenas coisas.

Relatos de uma memória falha e de uma pequena expectativa alimentada.

Sabe quando criamos grandes expectativas em coisas pequenas? Por um lado talvez até seja ruim, porém, suprir várias expectativas pequenininhas, é prazeroso, parece que ganhamos na “Mega-Sena” a cada hora do dia.

Sou uma pessoa detalhista, observadora e um pouco apegada em padronizar as coisas (as vezes até chamo de TOC, sempre que fico tentando alinhar as coisas desalinhadas), só que existe um probleminha no meio do caminho e no meio do caminho tinha um problemão. Sou esquecida, e alimento um monstrinho chamado: caos. Caos, bagunça tudo por dentro, e bagunça tudo que vê do lado de fora.

Depois de tanto deixar tudo para depois e esquecer (coitada), resolvi ter uma agenda, talvez assim não me lembraria da prova apenas na hora de fazê-la, ou do trabalho no dia de entrega-lo, ou quem sabe daquele evento que queria participar e perdi o prazo de inscrição (talvez várias vezes, ou quem sabe quase todas).

Agenda é para os fracos, terei um Planner Semanal — pensei.

Pesquisei, e pesquisei e pesquisei mais, e vi o horror de caro, só achava personalizado ou importado, e resolvi fazer o meu próprio Planner, até fiz, até ajudou, até enjoei. Na verdade eu nem devo ter enjoado de verdade, só percebi que eu esquecia de anotar as coisas para não esquecer depois. Continuei esquecendo. Segundo minha mãe, só não esqueço a cabeça porque ela é grudada no corpo.

Resolvi me dar uma segunda chace, agora terei um Bullet Journal.

Eu poderia ter uma agenda normal, dessas ai que tem em todo canto? Poderia, mas, eu sou dessas mesmo. A diferentona, rainha da novidade, invetora de moda.

Dizem que o Bullet Journal pode ser feito em qualquer caderno (A Bruna explicou um pouco como funciona), mas, minha falta de coordenação me fez entender que essas folhinhas cheias de quadradinhos que muitos usam, me ajudariam bastante na hora de deixar tudo organizado. Mas, quem disse que achar essas folhas é fácil?? Olhei em vários lugares próximos à minha casa e ao trabalho, nada. Fui até mais de uma vez nos mesmo locais, só pra garantir que realmente não tinham.

Bateu a bad. A desesperança. A sofrência de uma pobre ansiosa, que pensou nisso em cada segundo do dia, e já planejou usar antes mesmo de ter.

Ai então, que sem esperança, o famoso: “tamo aceitando qualquer coisa, e o que vier é lucro.” Fui ao centro da cidade, com minha mãe, em busca das “grandes papelarias” (Como já disse, nada nessa cidade pode ser chamado de grande, porém entendam), e assim que cheguei lá, totalmente desesperançosa até avistei uma papelaria bem pequenininha (agora pense comigo, se as grandes que falo, já não são grandes, imagina as pequenas), antiga, vazia, e quente, daquelas que tem mais cheiro de poeira do que oxigênio, e segui direto tentando nem reparar, já que inconscientemente entendi que ali não teria o que eu procurava.

Se não fosse minha mãe, eu talvez não teria encontrado o bendito papel, nem entrado na papelaria velha, e muito menos teria um Bullet Journal tão cedo.

Entrei, e no balcão estavam duas senhoras conversando, meio sem graça de atrapalhar a conversa das duas, me aproximei devagar esperando me notarem, e então perguntei: — Moça, aqui tem papel quadriculado? — Com a cara de cansada em repetir a mesma pergunta várias vezes, e sem credibilidade nenhuma na voz. Elas demoraram, se olharam, e uma disse que sim e a outra disse que não, (eu fiquei com cara de: Tem ou não, minha querida?) é óbvio que eu acreditei mais no não do que no sim, e ia apenas agradecer e ir embora. Até a senhora que me respondeu que tinha, se levantar e ir me mostrar os papéis.

Sabe aquelas cenas de filme, as de amor à primeira vista? Que passam em câmera lenta, e os olhos brilham… Foi isso que eu vivi quando bati os olhos naqueles papéis quadriculados maravilhosos, que sonhei encontrá-los (mal dos ansiosos hahaha’).

Eu fiquei tão feliz que, acredito ter deixado todos que estavam lá tão felizes quanto eu. Comprei papel para encher o planeta terra de Bullet Journal, só para garantir que não terei que procurar de novo.

Acha que acabou por ai? Que eu comprei e voltei pra casa felizinha? Não mesmo, fui em todas as “Grandes Papelarias”, aquelas que eram meu destino principal, e procurei pelos papéis. Elas não tinham, nenhuma delas. Estavam tão cheias de coisas, de pessoas, de materiais para o início das aulas, mas as minhas folhas quadriculadas não estavam lá, em nenhuma.

Supri minha míni expectativa cheia de desesperança, no lugar que eu menos esperei achar.

Cuidado com onde e com quem tem deixado a responsabilidade de suprir suas expectativas, nem sempre o que parece realmente é. Importante mesmo é enxergar a beleza das coisas simples, e se permitir viver experiências que nos ensinam que todo mundo tem muito a nos oferecer.

Nem sempre as grandes coisas, ou grandes pessoas, nos deixarão tão felizes quanto aquela pequena papelaria velha e empoeirada.