Coração na estrada, coração na mão

Sobre as gravações do documentário independente “Vida como Ultra”.

Aqui estarão minhas memórias sobre a gravação do documentário “Vida como Ultra”, começado em 2015. O documentário pretende mostrar torcidas de futebol de cunho antifascista, suas ideias e seu modo de torcer e lidar com as situações inflamantes e problemáticas da sociedade atual.

08/04–21h — Porto Alegre/RS

Finalmente o documentário que eu e o Luis tanto queríamos começou. É bacana ver que tudo pode sair do papel, é só amar e querer fazer — tudo se dá um jeito, e dinheiro é apenas uma parte disso — e conseguir ajuda pessoas de bom coração que gostam de compartilhar ideias.

Saindo de São Paulo, caos total, mochilas e equipamentos na mão — tensão foi a palavra desse final de semana.

Conseguimos partir quase que atrasados.

1h30 de viagem, chegamos no Eco Hostel em Porto Alegre. Lugar bonito, arquitetura antiga, confortável, lugar de muitas ideias e gente inteligente. Nos receberam de braços abertos, nos deixaram gravar em suas dependências, nos ajudaram em todos os problemas. Pessoas queridas.

Detalhes e câmeras prontas para gravação. Eco Hostel, Porto Alegre/RS. 2016.

09/04–11h — Grêmio Antifascista

Às 7h da manhã o projeto começou. Muita ansiedade e frio na barriga para começar as gravações.

A primeira torcida que graváramos seria a Grêmio Antifascista. E nos passou pela cabeça várias merdas, como: “e se eles não aparecerem?”, “e se as captações ficarem uma bosta?”, “o áudio tá certo?”. Mas tudo começou a rolar bem desde quando o Marcos* chegou. Super gente boa, super inteligente e solícito.

Nesse momento eu consegui me sentir calma, me sentir dentro de um pensamento, uma ideia. Era um grupo de pessoas com o mesmo intuito, as mesmas ideias, as mesmas paixões… nesse momento me senti fazendo o que eu amo, o que eu quero fazer pra vida… e isso me libertou.

Logo após mais conversas, troca de ideias e descontração… a gravação acabou. Tensão acabou, a gente relaxou e as dores começaram… Dores que mostram que o esforço valeu a pena, porque a calmaria veio.

09/04–14h — Internacional Antifascista

Marcamos às 14 a gravação com a torcida do Internacional. Um deles chegou mais cedo, e já fomos conversando com ele, perguntando sobre o clube, trocando ideias sobre o assunto. E a tensão começou a rolar de novo. Eu conversava e ao mesmo tempo ficava pensando comigo se tudo aquilo iria sair bacana… medo é um pensamento que sempre vive na minha cabeça.

Em meio a 7 pessoas que queriam expor suas ideias, uma bandeira incrível de 7 metros escrito “Antifa”, com o símbolo anarquista e socialista, problemas nos equipamentos fotográficos, risos e um calor devido ao ambiente fechado, conseguimos finalizar mais essa gravação… Enfim a primeira parte do projeto está gravada.

Descanso merecido. Luis, 2016.

Sai de Porto Alegre com as vontades renovadas. Senti que finalmente estava fazendo algo que me deixava plenamente satisfeita e feliz.

Os anos se passaram e eu deixei de fazer muitas coisas por determinados motivos, e me encontro em um dilema de vida, de carreira e de ideais.

Espero que seja caminho esse projeto.

Sala onde tudo aconteceu. Obrigada por tudo, Eco Hostel. 2016.
  • Nomes fictícios para preservar a identidade dos entrevistados.
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