Simples Romance
… Agosto 2018 …
Quantas vezes já não ouvi em filmes “você é muito novo para saber o que é amor”, quantas vezes não vi pessoas olhando um romance adolescente com aquele olhar carinhoso, mas sempre seguido do “não vai durar”? E isso é um problema. Um grande problema.
Quem disse que por ser novo não se sabe o que é amor? Quem disse que por ser mais velho, mais maduro, você sabe o que é? Existem diferentes formas de amar por ai, afinal. Pra mim, amar é uma coisa, pra você, é outra, pra ele, uma terceira coisa. Então o que tem de errado com o amor de quando se é menor?
Aquele amor que, na maioria das vezes, é mais puro, é mais simplório. Aquele amor que não se preocupa com quando vai levar x pra cama, que não se importa com o salário no outro no final do mês, com a estabilidade no emprego. Aquele amor que não se preocupa com tudo que é externo, mas sim com o que o outro é: com o sorriso, com como te faz rir, com aquelas borboletas no estômago, com o jogo no intervalo. Aquele amor que se basta no andar de mão dadas, no sentar do lado, no fazer grupo pro trabalho. Um amor juvenil que com o tempo vai crescendo e os dois vão crescendo junto com ele. Se aprendem coisas novas, passa-se a querer outros tipos de toques, talvez só segurar na mão não seja mais o suficiente e tá tudo bem também. Se os dois quiserem, se os dois estiverem prontos para amadurecer a relação nesse sentido, por que não?
Ai vem o resto do mundo e diz que isso não é amor, que você é muito novo para saber o que esse sentimento, que o você está sentindo não vai durar.
Tudo bem, escolher alguém para passar uma vida (e não me refiro a vida inteira) é muito mais do que só gostar da pessoa ou do jeito que ela ri, envolve sim uma série de outras coisas, existem muitos problemas mais para se lidar e não vamos esquecer do estresse. Tudo bem, não é simples, mas será mesmo que isso é realmente amar alguém?
Hoje em dia as pessoas tratam os sentimentos e os outros como transações comerciais, fazem suas escolhas pensando no que será melhor ao longo termo, no que lhe trará mais estabilidade e segurança. Isso é amar alguém? Fazer joguinhos, deixar com que o outro corra atrás de você, fazer pouco caso do que o outro sente, deixar com que ele se sinta idiota por sentir. Isso é amar?
Uma sociedade que se baseia no “não se apegue”, no “não demonstre”. Uma sociedade hipócrita que todo mundo grita aos ventos “sejam mais honestos e verdadeiros com os sentimentos, demonstrem o que sentem”, mas quando aparece alguém que o faz, ele é massacrado, tratado como o trouxa, como o errado da história. E ai se perde mais um. E se não perder, se esse alguém ainda acreditar que é a melhor forma de ser, aos poucos vai perdendo a confiança, vai achando que não adianta, até que um dia para de acreditar no romance.
Meu ponto é: se o mundo se preocupasse menos em querer ditar como é o amor, parasse de tirar a ingenuidade e simplicidade que um dia todos nós tivemos, quem sabe a nossa sociedade não seria tão amargurada e tão congelada?
