Extrema direita cresce e fascismo italiano se faz presente nos estádios

Alecsander Heinrick
Nov 6 · 6 min read

Esse não é um texto parcial, contém opinião própria e se você tem algum tipo de preconceito, não perca seu tempo lendo.

Lukaku encara a torcida do Cagliari, que fez cântico racistas antes do jogador bater um pênalti — Foto: Enrico Locci/Getty Images

Casos de racismo nos estádios de futebol da Itália estão cada vez mais presentes, praticamente toda rodada há algum tipo de manifestação racista. O CasaPound, grupo que se assume fascista, é um dos grupos políticos que mais vem crescendo na Itália nos últimos anos, tendo crescido +10% entre as duas ultimas eleições - mas ainda assim não consegue o número de votos mínimos (3%) para ter um lugar no parlamento italiano. Com essa onda fascista na Itália, um dos lugares mais afetados são os estádios de futebol. Com pessoas e partidos se assumindo fascistas e não sofrendo nenhuma represália de autoridades maiores, o movimento vem ganhando mais e mais voz, tendo assim cada vez mais manifestações contra raças e etnias.

Na temporada 18/19, os ultras (torcidas organizadas mais radicais) da Lazio - que nunca esconderam serem fascistas e inclusive já fizeram faixas e cânticos em apoio a Mussolini (líder e um dos fundadores do fascismo italiano) - em um clássico contra a Roma (seu maior rival) encheram as arquibancadas com fotos de Anne Frank vestido a camisa da Roma. A grande parte da Itália (e do mundo) se revoltou contra o ataque mas nada de punição para a torcida da Lazio. Ainda em 2018, Moise Kean (jovem revelação da Juventus) foi vítima de racismo em jogo contra o Cagliari, o atacante encarou a torcida mas foi incrivelmente criticado por alguns da imprensa e pelo capitão de seu próprio clube, Bonucci. Ainda na temporada 18/19, um dos casos de maior absurdo, o zagueiro do Napoli, Koulibaly, sofreu racismo durante o jogo contra a Inter de Milão, além da torcida da Inter também fazer cânticos discriminatórios contra a cidade de Nápoles. Koulibaly foi expulso após aplaudir o árbitro que não tomou nenhuma atitude quanto aos atos de racismo, o zagueiro foi suspenso pro dois jogos por aplaudir o árbitro.

Moise Kean encara a torcida do Cagliari após marcar um gol — Foto: Enrico Locci/Getty Images

Já na temporada atual (19/20), a massa fascista nos estádios de toda a Itália parece ter aumentado e não ter medo de soltar a voz para serem preconceituosos, vários jogadores já sofreram nessa temporada. Lukaku, da Inter de Milão, foi o primeiro alvo. Em jogo também contra o Cagliari, parte da torcida fez sons de macaco quando o belga ia cobrar um pênalti, o jogador fez o gol e encarou a torcida. Mas assim como Keane, Lukaku foi criticado “dentro de casa”, os ultras da Inter fizeram uma carta para Lukaku criticando o atacante e dizendo que ele que não entendia a reação da torcida do Cagliari e que aquilo era normal. Além disso, um comentarista de uma TV italiana disse que “só jogando bananas para parar Lukaku” - sim, ele disse isso com toda a naturalidade do mundo - O comentarista foi demitido de sua emissora. Mas mais uma vez, nenhuma punição grave ao Cagliari ou à sua torcida por parte da federação italiana.

Com esses casos acontecendo e nenhuma punição sendo aplicada aos torcedores ou aos clubes, outros torcedores “ganharam coragem” de fazerem o mesmo. Em outras partidas, o volante do Milan, Kessie, o lateral brasileiro, Dalbert, o zagueiro do Napoli, Koulibaly e o atacante do Brescia, Mario Balotelli, foram alguns dos que passaram por situações de preconceitos. O último caso foi de Balotelli, o italiano de origem ganesa, escutou sons de macaco no jogo contra o Hellas Verona. Revoltado, o jogador pegou a bola e a chutou em direção a parte da torcida que estava sendo racista, além disso o jogador quase abandonou a partida e só não o fez pois seus companheiros de time o convenceram a ficar. Após o jogo, o mundo inteiro se revoltou, mas as pessoas da cidade de Verona e a federação italiana, não pareceram entender aquilo como algo errado. Primeiro, o presidente e o técnico do Verona disseram não terem presenciado nada de racismo durante o jogo.Segundo, o diretor dos ultras do Verona disse que o jogador não era totalmente italiano e que aquilo que ele (Balotelli) fez era palhaçada, para completar. O prefeito de Verona disse que sua cidade esta sendo a vítima da questão e que se houve algo foram de 2 ou 3 pessoas, sendo que há vídeos que mostram grande parte da torcida fazendo os sons, como fica claro no vídeo abaixo:

Além do prefeito, alguns vereadores da cidade entraram na justiça contra Balotelli por ele “difamar” a cidade “injustamente”. Já a corte de justiça do futebol italiano apenas “puniu” o Verona que irá ter que jogar com parte do estádio fechado no próximo jogo em casa, e pagar uma multa medíocre que não afeta em nada o clube.

Isso são casos só da Itália e em apenas um curto período de tempo. Se a federação, a imprensa, os jogadores e os clubes não agirem e deixarem os “casos isolados” ou omitirem esses caos, vai chegar em um momento que será impossível conter essa onda nos estádios da Itália, e assim, as coisas vão ficar muito pior.

OPINIÃO

Estamos em 2019, século XVI, na década de 1880 ocorreu o fim da escravidão e os negros, que eram tratados como animais (ou menos que isso) tiveram, finalmente, a chance de se sentirem gente. Mesmo assim, ano após ano, os negros ainda são discriminados. Não há e nem nunca houve ou haverá algo que prove que uma pessoa seja superior a outra pelo simples fato da cor da pele. Repito, estamos em 2019, onde grande parte tem acesso a todo o histórico da humanidade, tem a acesso a todo o horror que já aconteceu, não foi apagado da memória, dos livros de história ou da internet o que fizeram com os negros e nunca será! Enquanto houver passividade com racistas, homofóbico ou qualquer tipo de preconceito, nada será resolvido. Enquanto uma pessoa for ao estádio, imitar um macaco para um negro e não for punida continuaremos tendo mais e mais casos, a final, crianças vão ao estádio e assistem pessoas ao seu redor fazendo algo pelo qual não são punidos, e se alguém faz e não acontece nada, a criança irá pensar que não tem problema e irá repetir aquilo, passando essa ideologia imbecil para mais e mais pessoas. O fascismo, que junto ao nazismo foi uma das piores coisas que a humanidade já criou, é visto como normal na Itália (não só, como em grande parte da Europa), pois há um partida declaradamente fascista e ninguém faz nada contra, muito pelo contrário, muitos fazem à favor. Parece que os italianos não conhecem a própria história, ou conhecem e a ignoram. Ignoram como a federação italiana ignora os atos nos estádios, ignora como alguns da imprensa ignoram os atos nos estádios, ignoram como alguns jogadores ignoram os atos nos estádios, ou pior, não ignoram … eles compactuam com aquilo. A federação, os jogadores, os jornalistas, os artistas, os cantores, todos que são exemplos para milhões de pessoas em outras ocasiões, ignoram ou compactuam com o fascismo. Quando os cânticos racistas se tornarem mais frequentes do que já são, não adianta tentar conter, quando o fascismo conseguir cargos no poder italiano, não adianta tentar conter. Já estamos atrasados por ainda ter preconceituosos, e estamos nos atrasando mais ainda por deixarmos que esses preconceituosos se sobressaiam e façam o que quiserem.

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