A solução para a miséria do mundo não é uma só, mas 7,5 bilhões de soluções…

Enquanto os coronéis da esquerda e da direita tem como corolário uma solução unitarista, uns no coletivismo e outros no capitalismo selvagem, eu creio que a solução real passa por defender que devemos fazer força e fé nas energias e capacidades de cada indivíduo.

Mas jamais no sentido de um darwinismo social, no sentido determinista que se pensa — os mais fortes economicamente — , mas é sim um darwinismo que se baseia na ideia de que os mais aptos se apropriem do meio-ambiente econômico e vençam pelas suas melhores aptidões.

Isso é, se retiramos as barreiras que coíbem o empreendedorismo nas pequenas comunidades, as pessoas ali encontrarão seus nichos — darwinismo — mas com um Estado barrando essas iniciativas (seja por impostos, proteções ou regulações) ele prioriza que os ricos fiquem mais ricos, pois as regras do Estado são feitas para sustentar as elites.

A ideia da direita de que o livre-mercado é uma solução em si só, é justamente o erro de se pensar em termos unitaristas — “uma solução única para todos dominar” — , por isso advogo que haja um mercado-livre, na acepção do termo, no caso do Brasil, por exemplo, pressupõe-se que seria possível ter 250 milhões de soluções, pois cada um, num mercado-livre poderia implementar os caminhos que buscar, até mesmo nenhum caminho, sim, as pessoas que não quisessem trabalhar, poderiam não fazê-lo, claro que viveriam em um certo grau de miséria e da ajuda alheia, mas ainda assim elas deveriam ter a liberdade de viver dessa maneira.

Isso claro, é a utopia, tanto quanto o unitarismo das sociedades socialistas/comunistas ou do laissez-faire capitalista. Igualdade, o corolário da esquerda, é um mito, não existe ou existirá, pelo simples fato de que todos os humanos são neurologicamente diferentes entre si, portanto, tem habilidades que os tornam diferentes e alguns serão sempre excepcionais, enquanto outros serão medíocres, o que vejo como mercado-livre é que a liberdade permita alguém ser estúpido e outro brilhante, sem julgar um pelos outros, caso contrário serei obrigado a lobotomizar os brilhantes — a esquerda tenta isso há 100 anos — , pois é possível fazer alguém brilhante ser estúpido, já o inverso é impossível.

Quando falamos de ajudar os outros sempre pensamos nos mais pobres, mas na verdade, tais atos tem haver somente com manter o poder, não ajudar alguém. Posso citar os casos em que as ditaduras, tanto de esquerda quanto de direita, pressupõe que deverão cometer crimes em nome das ideologisa e justificam isso como atos de bondade, e historicamente essas ações se mostram efetivas somente em termos de exercer a repressão e o poder, nada mais.

Eu creio na punção individual, do “eu quero fazer, então faça”, mas ser obrigado a ajudar os outros, por culpa ou coerção — com planos governamentais de ajuda, impostos que sequestram bens, que tornam impossível acumular o fruto do trabalho — , não isso não, pois em geral isso é simplesmente roubo, nada mais.

Temos de repensar e extrapolar para que a liberdade se torna sim, um livre mercado, em que os 250 milhões de brasileiros, e os 7,5 bilhões de seres humanos possam caminhar os destinos que traçarem.

Jamais é transformando pessoas em commodities, seres humanos individualmente são potenciais criadores de soluções, que se forem livres o suficiente, estimulados e permitidos, irão revolucionar e mudar tudo que puderem, assim como terão os conformados que preferem viver a sombra e às custas de outros, mas num mercado livre, talvez aí novamente o darwinismo, por não serem aptos, mudem e igualmente cresçam.

E sempre que se tem essa discussão, as pessoas que como eu, creem na meritocracia, se veem diante de dúvidas e ideias que procuram mostrar que nós não temos escolhas, que é tudo pré-determinado, como algo do tipo, que se alguém é pobre vai se foder pobre e o rico vai triunfar por ser rico.

Mas vamos assumir, apenas como exercício de que eu não possa escolher coisa alguma. Ainda assim isso não gera determismo, apenas um caos incontrolável, uma natureza aleatória, em que há um único fator determinante, EU.

Minha família não era religiosa, pelo contrário, meu pai era esquerdista roxo, materialista dialético e um fervoroso defensor da ditadura do proletariado. Eu cresci estudando tarô escondido, li a Bíblia inteira aos 9 anos de idade (uma que achei na rua, pois meu pai não deixava esse tipo de livro entrar em casa), e isso fora outras coisas.

Possa não ter escolhido minha escola primária, mas escolhi estudar que nem um fdp, pois eu sabia que só assim poderia sair da miséria que vivia (com direito a passar fome e etc), posso não ter escolhido nascer em SP, mas aproveitei essa aleatoridade para daqui fazer meus contatos e crescer profissionalmente, fiz Escola Técnica Federal na área de Telecomunicações e essa foi mesmo uma decisão minha desde a 7a série, pois meu pai queria que ou eu fizesse Senac e vira-se metalúrgico ou fosse para uma escola militar (o grande sonhos do meu pai era eu ser tenente da FAB).

Como eu decidi não fazer o que ele quis, ele lavou as mãos, eu que me inscrevi no cursinho, depois prestei, passei e entrei no curso que queria e só não assinei todas as documentações pois era menor de idade, minha mãe assinou por mim, mas os 4 anos de Federal eu que me virei, fazia meus bicos, de 1992 em diante trabalhei no almoxarifado e fazia uns trampos para arrumar as coisas dos outros e etc.

Eu não era de falar muito, mas guardava dinheiro, passava fome para comprar os livros, pois o meu pai não deu nada, e me ameaçava todo dia de me tirar da Federal, de maneira, que sim, foi uma escolha minha, e paguei o preço por ela.

E não sou só eu que tomo essas decisões, a quantidade de pessoas que diariamente eu conheço com histórias parecidas é muito alta, e das duas uma, ou todo mundo que faz isso eu acabo conhecendo, ou estatisticamente tem mais gente que faz algo de bom com o que a vida lhe oferece.

O problema é que isso não é um bom marketing, falar que dá para vencer a miséria, mandar um foda-se a quem não quer que você cresça, não é bom para o IBOPE das soluções estatistas e que usam a pobreza como desculpa para tudo.

Por isso eu não chamo de livre-mercado, mas de mercado livre, pois o livre-mercado é a ideia da solução unitarista, o mercado-livre já é a ideia de que todos podem, de acordo com suas denominações e idiossincrasias fazer o seu mundo — 7,5 bilhões de soluções para o mundo — , mesmo que seja se conformar com a miséria, ou como eu:

— Mandar um foda-se a ela.