Bauru, um pequeno berço de HQs no interior do estado

Adriano Arrigo
Jul 25, 2017 · 3 min read

Contado com o coletivo Red Door e o grupo de estudos GAS, a cidade do interior paulista é palco para quem produz quadrinhos, ainda que careça de eventos na área

Quem poderia imaginar que Bauru, uma cidade com menos de 400 mil habitantes, poderia ser polo em um nicho tão específico como as histórias em quadrinhos (HQ)? É bom lembrar, no entanto, que uma das figuras mais icônicas nos quadrinhos brasileiros nasceu em Bauru. “A história dos quadrinhos em Bauru vem lá de trás. Maurício de Sousa trabalhou no Diário de Bauru, e sua filha, a Mônica, é bauruense”, conta André Turtelli, também bauruense, e um dos quadrinistas do HQ autoral Aokigahara, junto com Renato Quirino.

Mas no mundo dos quadrinhos não é o tamanho da cidade que importa. As HQs acabam sendo universais e extrapolando as barreiras geográficas. “Nós acabamos divulgando nossa HQ mais fora da cidade por conta que a fizemos pelo site Catarse, especializado em financiamento coletivo para projetos. A partir daí que acabamos conhecendo mais gente que produzia quadrinhos na cidade, como o pessoal da Red Door”, explica André.

O Red Door publicou páginas de seu HQ em formado de séries no Facebook (Foto: reprodução)

O Red Door é um coletivo bauruense de HQ criado pelos amigos Rafael Oliveira, Bruno “Mutt” e Daniel Porto. Como todo coletivo, ele serve para criar experimentos em uma determinada área, e com o Red Door não foi diferente. Ele foi usado pelos amigos para criar “quadrinhos sem roteiro, sendo que uma página continua a do outro, para ajudar a produzir trechos e aprender como fazer quadrinhos”, conta Mutt, um dos idealizadores.

Dando um bom GAS na Produção da cidade

Mas além de produzir HQs, O Red Door também pública quadrinhos. É o que no mundo editorial é chamado de selo, ou seja, uma forma que editores encontram de publicar seus trabalhos de forma independente. Como selo, o Red Door não está sozinho no município. O Grupo de Artes Sequências, o GAS, também publica HQs. Organizado desde 2015 por vários alunos do Design da UNESP de Bauru, o grupo usa o termo “Arte Sequencial” para abranger não só quadrinhos, mas, também outros tipos de produções artísticas, tal como as animações.

O GAS também oferece cursos na área de quadrinhos aberto a todos os públicos (Foto: reprodução)

“Não há uma cena por aqui, não há um público, falta leitores e maior conhecimento da cena de HQ Brasileira. O GAS vem pensando nisso, tentando movimentar o quadrinho brasileiro na universidade, em eventos e oficinas abertas ao público”, conta um dos idealizadores, Daniel Batista, autor de “Bê-a-bá”, um quadrinho que brinca com o mito do guaraná.

Descentralização e o ar do interior paulista

Daniel conta que o GAS participa de convenções e feiras vendendo quadrinhos coletivos e autorais. Mas essas feiras não acontecem com frequência na cidade e estão geralmente centralizadas em grandes cidades, como São Paulo. André Turtelli comenta que a descentralização é importante e ajuda bastante, já que se houvesse “algo frequente unindo uma galera do interior, certeza que iriamos alcançar mais gente”.

Mas a distância da capital e a falta de eventos ainda é um problema a ser superado. Além de movimentar as HQs no interior, Bauru ainda é um lugar que, de alguma forma, alimenta a criatividade dos artistas. “Ah, para fazer de verdade mesmo, aqui deve ser até melhor. O tempo aqui é outro”, palpita André sobre Bauru.

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