Primavera

Desabotoa pétala 
Cravo e rosa
Do jardim de pedra
Curva em mim
Sua mão lava
Incendeia e queima 
Morde o chão da boca
Enterra sua coxa
Sentimento ou gosto
Maciço e vermelho
Certo ou errado
Crava o toque 
Pela cintura
Entre dentes consumada 
O lábio abrasa
Superior e inferior
Me abraça
Imperativo divino
Sabor diabo
Engole
Evoca 
Desenha
Tece o ato
De dois ou três
Cabe mais 
Desliza além 
Mais diz
Mais baixo
Não mais 
Sim mais
Nada mais
Somente a presença
Pulsa a orla de nós
Meu peito circula
Sobre ar 
Sobra jeito
Revólver de mim
Envolve o peso 
Cítrico amedeirado
Assina e devolve
Na garganta crua
Volve sem receio
Sem os medos
Dentro do tênis
Deixados atrás
Meia contra luz
Agudo escuro
De olhos bem fechados
De joelhos
Colhe do pé
Pelo e unha
Macio derretido
Fruto da encosta descida
Sacia na areia
Toma um pouco
Bebe o corpo
Todo
Transbordado sóis.

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