Da matéria dos deuses e das coisas
Lembro de um dia quando criança me perguntar sobre como escolher o que lembrar. Isso já faz algum tempo, pois deve ter sido entre 8 e 12 anos, ou quem sabe quase exatamente no início da adolescência. Além disso, até o momento, foi contato um engodo. A verdade é que fiz pontualmente a pergunta ao tirar uma foto de escola quando tinha 10 anos.
De qualquer maneira, mal localizada ou não, a memória até nos tornarmos adultos não parece mais que algumas coisas perdidas e mal passadas.
Já na atualidade da era digital, e com o agravo de aprender a dar delícia ao enfadonho da vida adulta, podemos selecionar mais e melhor a memória. Que trunfo do tempo, afinal ir constatando que o vigor da juventude ficou borrado e passado não é muito reconfortante!
Dito isso, no dia 20 de agosto de 2017 o vento passou sobre minha cabeça e ali fiz um marco do tipo GPS na memória do meu tempo. E, para ser mais específico, o uso da tecnologia foi capaz de dar a contribuição final ao lirismo da bobagem que o esforço representa.
Um momento.
Bem, “o vento passar sobre minha cabeça”, por mais lúdica que a construção da oração possa parecer, significa estar localizado num rochedo e em uma área que a geografia dá destaque na topografia do vento. Assim, num evento específico, que foi a distribuição e dispersão da massa polar em boa parte da cidade, não era possível sentir o vento no chão, apenas sobre a cabeça!
In rerum natura e in perpetuam rei memoriam:
