amarelo

amores e desgraças de uma quarta à noite.

a minha pele suada em contato com a tua em silêncio no escuro clareado pela luz amarela do banheiro. cheiro de plástico e subway, tento sentir cada poro teu com minhas mãos que nunca estiveram tão sensíveis. os pelos de teus braços os teus ossos expostos, o teu cheiro que não passa de uma droga que eu não quero me livrar. me lembro das pessoas que passaram por aqui e penso o quanto preciso aproveitar o hoje por medo de não ter o amanhã contigo comendo subway às 17h54 duma quarta-feira desgastada pela nossa paranóia. a necessidade de te falar que eu tenho medo da tua ida-sem-vinda me emudece, faz a minha mente trabalhar em flashing images e colocar todas as minhas inseguranças em jogo entrelaçadas com um ritmo frenético das bandas que ouço e que já te mostrei há dias atrás. ouço dentre o vento do ventilador e o barulho das ambulâncias que saem dos hospitais vizinhos o teu coração que bate em uma velocidade razoável mas que me traz pra perto de tu . o aqui-agora que me livra das ansiedades e vontade de chorar inevitáveis e corriqueiras. tu sai se despedindo do gato do vizinho, a luz amarela-melancólica me traz uma sensação de filme que desde o início foi presente. eu te amo — disse passando a mão na cerca do portão que talvez um dia protegeu de algo mas que agora só está enferrujada e fria, iluminada pela luz amarela do poste. — agora estou com vontade de chorar.


fotografia de nan goldin.