Querer, meu bem, não basta.

Queria parar a minha vida agora. Colocar tudo no lugar. Talvez viajar por aí afora ou simplesmente ficar reclusa. Cuidar de mim. Sentir o vento no rosto, prestar atenção nas ondas do mar, me encontrar na simplicidade das coisas. Queria não me sentir mal de tempos em tempos. Queria não faltar tanta aula, não me sentir péssima em meio a tanta gente. Queria não chorar por ter que cumprir uma obrigação. Queria, talvez, ser quem um dia eu já fui. É triste e extraordinário que não possamos voltar a ser quem éramos há um ano ou há seis meses. Triste porque não podemos voltar para uma época que tudo estava bem. Extraordinário pela fato da vida não voltar atrás.

‘but always keep in mind things are fine and we’ll figure it out’

A verdade é que eu não faço a menor ideia do que eu estou fazendo da e com a minha vida. De fato, eu me orgulho muito de quem eu me tornei mas não sei se estou fazendo escolhas certas e optando pelo melhor caminho. Eu sempre fui uma criança que gostava de respostas exatas, de certezas, de uma diretriz clara. Cresci e vi que não se pode contar com as certezas, que as respostas nem sempre serão as mesmas, que as diretrizes podem ser flexíveis.

Tudo parece um caos. Já me faltou motivação — superei essa fase. Eu sei que quero passar no vestibular, cursar medicina, evoluir espiritualmente, ajudar pessoas, ter experiências incríveis. Eu só queria mesmo que isso não me sugasse tanto. Queria tirar um tempo meu e não ter que estudar essa grade inteira de matérias inúteis que caem no vestibular. Queria poder respirar. Queria que estudar fosse um prazer como era ano passado, mesmo que o stress tivesse sido intenso. Queria segurança. Queria certeza do meu futuro e dos meus planos. Infelizmente, a única certeza que tenho é que no final do dia eu só tenho a mim e as minhas infindáveis dúvidas. E que ninguém pode fazer por mim o que eu posso. Maldita certeza — nem ela eu queria ter. Viver na ilusão de que nenhuma certeza existe, dói menos.