O lírio do vale e os paralelos entre a vida e a morte.

Entre todas as assassinas, havia ela de ser a mais bela. A forma como seus cabelos se arrastavam aos pés e como as lâmpadas projetavam suas luzes rubras sobre o espelho negro dos seus fios já provava isso. A franja rente ao rosto, os olhos longos e levemente finos. Era bela, todos concordavam. Já ela, na quietude caótica do seu ser, já não concordava tanto.

E era em meio ao réquiem de entranhas e escarlate que a sua vida se desenrolava — e na manhã que se antecedia, todos repetiam: como é bela a garota do vale! Quem é ela e o que faz?

A assassina, como sempre, mantinha o pensamento quieto que discordava veemente.

Eis que chega a manhã depois da valsa da morte. O sol ascende no horizonte como um brado estridente. A garota corre porta a fora, desce o vale em meio à tropeços e, antes que os outros pudessem suspirar de amores por ela, ela lança-se ao chão e chora. As mãos cansadas e cobertas de sangue mancham os lírios. Ela agarra-os como se fossem velhos amigos e soluça. Pela primeira vez, eles não repetem o elogio. Dizem: que beleza triste tem a garota do vale! e ela, no seu silêncio infeliz, concorda sem nem olhar a quem diz.

Depois de suas lágrimas, o crepúsculo não chega. Nem mesmo o amanhecer. Tampouco raia o sol. Os outros nada dizem.

A assassina é neutra pela primeira vez.

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