Augusta Ada King, nascida em 1815, conhecida como condessa de Lovelace, teve criação científica desde cedo, sua mãe era uma estudiosa de matemática e sempre influenciou sua filha no mesmo caminho. Esta influência permitiu que Ada fosse responsável pelo algoritmo que poderia ser usado para calcular funções matemáticas, seu trabalho permitiu que uma máquina calculasse os números de Bernouilli.

Em 1842 e 1843, ela fez estudos sobre a máquina analítica de Babbage, mais de 100 anos depois, a máquina foi reconhecida como primeiro modelo de computador e as anotações de Ada como o primeiro algoritmo criado para ser implementado em um computador. A máquina que ela ajudou a criar não foi construída durante seu tempo de vida, mas em 1982, uma linguagem de programação estruturada ganhou o nome “Ada” como referência a uma das personagens mais representativas da história da tecnologia.

Esse é o resumo do que ouvimos falar sobre ela. São todos os estudantes das áreas tecnológicas que conhecem ela? Acredito que não. Ela é mencionada e citada em momentos históricos importantes? Muitas vezes não.

Ela foi uma mulher que realizou feitos importantes e assim como tantas outras não recebeu o devido reconhecimento e os créditos sobre seu trabalho enquanto estava viva. É incontável o número de figuras femininas que tiveram importância e relevância nas mais diversas áreas, especialmente na área de ciências e tecnologia e permanecem de certa forma esquecidas ou colocadas em segundo plano.

Atualmente temos figuras femininas representativas e com o devido reconhecimento, porém, ainda caminhamos a passos lentos quanto a igualdade de visibilidade do trabalho feminino em comparação ao trabalho masculino. É muito importante que todo trabalho relevante seja sim muito bem reconhecido e admirado. Além de ser necessário para as futuras gerações, também é inspiração e luz para as mulheres que estão iniciando suas pesquisas ou que estão sentindo um deslocamento em suas áreas de trabalho.

Muitas vezes, ser mulher e trabalhar em áreas predominantemente masculinas é exaustivo e difícil, então é importante que todas as mulheres que fazem esse tipo de trabalho possam inspirar e apoiar umas às outras. Culturalmente somos instigadas a viver em competitividade com as pessoas que possuem as mesmas habilidades e expertises que nós, especialmente com as mulheres que exercem as mesmas funções que nós, isso é saudável até certo ponto, mas muitas vezes é mais importante cooperar e apoiar o trabalho umas das outras do que “vencer” uma competição, especialmente quando já somos minoria. Então, admirar e reconhecer o trabalho de outra mulher é muito importante, não só para a mulher em questão, mas para todas as mulheres que fazem parte da mesma área que esta mulher que está sendo reconhecida. A visibilidade do trabalho de uma de nós abre o caminho para que todas nós possamos ser reconhecidas por nossas conquistas.

O reconhecimento do trabalho e esforço de cada uma das mulheres que realizam algo relevante para os meios de pesquisa, ciências e tecnologia é o reconhecimento de todas nós, é a identificação e abertura de espaço para que cada vez mais as mulheres se sintam inspiradas e se sintam parte do que está sendo construído no mundo.

Atualmente já temos um número muito maior de mulheres atuando em áreas como ciências e tecnologia, mas ainda são poucas, então quando uma nova mulher entra nesse meio, ela normalmente se vê sozinha e aprende a desenvolver-se, trabalhar, criar e pensar sozinha, o que faz com que estas mulheres sejam mais individualistas com seu trabalho. Posso falar isso com tanta propriedade pois foi o que aconteceu comigo ao longo de muitos anos. O mindset só mudou a partir do momento em que me abri para reconhecer, identificar e criar uma conexão com o trabalho e a forma de pensar de outras mulheres que me rodeiam. Criar esta união entre mulheres, que são minoria, nos torna mais fortes, faz com que as opiniões sejam ouvidas e o trabalho seja visto com mais facilidade. Então posso afirmar com conhecimento de causa, o trabalho bem feito e reconhecido de outra mulher não anula o meu trabalho, não diminui e não torna menos visível ou menos importante o que faço, muito pelo contrário, é o que faz com que eu possa ter mais voz e mais confiança para realizar o meu trabalho.

Mulheres que se apoiam e incentivam outras mulheres, são mais fortes, são mais independente e se tornam mais confiantes. A confiança de uma mulher desperta a força e a coragem em outras mulheres. Admirar e ser grata pelo trabalho e esforço de outras mulheres é o que alimenta a força em nós mesmas, é o que empodera e dá voz, é o que faz com que todas as mulheres possam se identificar como capazes de construir, criar, pensar e desenvolver tudo o que elas quiserem.

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