Empreendendo em uma situação de crise

Veio-nos a seguinte pergunta: “Como podemos ‘definir’ a situação econômica do Brasil?”.

Para exemplificarmos ou contextualizarmos a situação do Brasil, pensemos na seguinte história:

Um homem andava em seu carro a passeio com a família por uma estrada de terra onde o caminho tinha sido recentemente nivelado o que tornava mais fácil a viagem. Já em uma estrada cheia de “costelas de vaca” um senhor que também andava com seu carro andava mais devagar para o mesmo não sofrer tantos danos, pois a estrada não estava em suas melhores condições.

Essa analogia se refere ao momento econômico em que vivemos no Brasil, é a estrada que está em má qualidade e pessimamente gerida.

Em uma situação como essa, como os empreendedores enxergam oportunidades através das lentes de negócio, da transformação e da inovação e em parceria com o design criam soluções com potencial sucesso?

No momento atual econômico brasileiro existem várias dificuldades que podem esmagar a iniciativa empreendedora, desde taxa de juros altíssima a altas baixas de consumo, já que estamos em um país que toma decisões econômicas erradas, que cobra altos impostos e não dá condições ao incentivo, portanto essa análise passa pelos padrões culturais, pois no Brasil não temos uma cultura empreendedora.

Retirado de: http://bit.ly/1ZkGgnw

Muitas vezes os empreendedores são participantes de um ambiente que possui uma necessidade, ou potencial criação de demanda. Mas como entendemos que cultura seja algo plantado que continua a crescer e se modificar, podemos mudá-la através de ações e experiências a fim de melhorar, quando analisamos certas falhas.

Não existe uma sociedade empreendedora, mas sim uma cultura empreendedora ou indivíduos empreendedores e é com isso que trabalhamos e propomos, sendo talvez até redundantes porque não somos os pioneiros mas que compartilhando essa ideia podemos melhorar algo.

A questão cultural de empreender também estaria relacionada a proatividade, que por grande maioria, não somente no aspecto econômico, são grandes passivos e esperam por tudo do governo. Não é hipocrisia falar isso enquanto que em cima falamos de um Governo que leva o país ao fracasso, quando o discurso dos passivos é de que não podem e precisam que o outro façam por eles não sendo os seus esforços os mínimos possíveis para chegar no objetivo traçado. Fazemos uma crítica pois tentamos e queremos empreender, mas precisamos de um país que pense de maneira diferente buscando por mais livre iniciativa e trabalhando com negócios que façam a economia crescer.

Os empreendedores conseguem visualizar uma oportunidade onde muitos não conseguem ver. Eles precisam ter um arcabouço teórico mas também precisam de vivências que o façam tomar melhores decisões. E nesse processo todo de enxergar a oportunidade e querer lançar o produto, serviço ou experiência é interessante passar por áreas de conhecimento que se relacionem com aquele serviço para dar embasamento na decisão. O Design entra com a parte mais importante pois design é projetar, é designar, pois se temos algo que queira ser colocado em prática precisaria também passar por mãos de designers que também entrariam na parte de pesquisa e levantamento de dados, especificação de requisitos, prototipação, implementação e avaliação. Nesse processo de design onde um consumidor/usuário esteja participando do processo relatando suas necessidades e o seu contexto social, econômico e político induz o designer ao caminho que deve ser seguido.

Quando falamos de lentes, falamos de algo que nos possibilite enxergar com outra visão, onde podemos visualizar melhor uma situação e se essa pode ser melhorada como uma mudança cultural, abordamos em três pontos:

de negócio: que são as estratégias, planos de negócio, planos de marketing etc.

da transformação: que são as novas forma que podemos dar a uma situação ou contexto.

da inovação: que são as novas proposições que antes não existiam, ou se existiam tomaram novas formas.

Mas quem são esses empreendedores?

“Um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões.” Fillion, 1999, pág. 19

Podemos entender como empreendedor aquele que inova, que enxerga oportunidades, que é proativo, que não fica fazendo utopias e parte para a ação.

O empreendedor é um ser humano e por natureza é um ser que fabrica coisas como fala Vilém Flusser a respeito do Homo faber onde:

“Por outro lado, a designação Homo faber […] denota que pertencemos aquelas espécies de antropoides que fabricam algo.”

No campo do design e em nosso tempo não criamos somente soluções de matéria física, mas criamos soluções digitais e ou tecnológicas. Quando pensarmos em tecnologia não devemos pensar somente em computadores, ou similares coisas que possam ligar e desligar. A tecnologia seria o estudo da técnica e essa técnica tem uma definição, na qual tomamos por interessante, onde Jacques Ellul diz que “a técnica assume hoje em dia a totalidade das atividades do homem, e não apenas sua atividade produtora” o que corroboramos.

Para que possamos melhorar o cenário econômico do país precisamos mudar nossas atitudes, nossa cultura e tomarmos consciência dessa necessidade de surgir novas idéias, novos negócios e termos uma economia mais forte. Pois se quisermos trilhar esse caminho mais fácil podemos começar de agora buscando compreende melhor o nosso espaço, buscar lacunas e propor uma nova solução.