Empreendendo em uma situação de crise
Veio-nos a seguinte pergunta: “Como podemos ‘definir’ a situação econômica do Brasil?”.

Para exemplificarmos ou contextualizarmos a situação do Brasil, pensemos na seguinte história:
Um homem andava em seu carro a passeio com a família por uma estrada de terra onde o caminho tinha sido recentemente nivelado o que tornava mais fácil a viagem. Já em uma estrada cheia de “costelas de vaca” um senhor que também andava com seu carro andava mais devagar para o mesmo não sofrer tantos danos, pois a estrada não estava em suas melhores condições.
Essa analogia se refere ao momento econômico em que vivemos no Brasil, é a estrada que está em má qualidade e pessimamente gerida.
Em uma situação como essa, como os empreendedores enxergam oportunidades através das lentes de negócio, da transformação e da inovação e em parceria com o design criam soluções com potencial sucesso?
No momento atual econômico brasileiro existem várias dificuldades que podem esmagar a iniciativa empreendedora, desde taxa de juros altíssima a altas baixas de consumo, já que estamos em um país que toma decisões econômicas erradas, que cobra altos impostos e não dá condições ao incentivo, portanto essa análise passa pelos padrões culturais, pois no Brasil não temos uma cultura empreendedora.

Muitas vezes os empreendedores são participantes de um ambiente que possui uma necessidade, ou potencial criação de demanda. Mas como entendemos que cultura seja algo plantado que continua a crescer e se modificar, podemos mudá-la através de ações e experiências a fim de melhorar, quando analisamos certas falhas.
Não existe uma sociedade empreendedora, mas sim uma cultura empreendedora ou indivíduos empreendedores e é com isso que trabalhamos e propomos, sendo talvez até redundantes porque não somos os pioneiros mas que compartilhando essa ideia podemos melhorar algo.
A questão cultural de empreender também estaria relacionada a proatividade, que por grande maioria, não somente no aspecto econômico, são grandes passivos e esperam por tudo do governo. Não é hipocrisia falar isso enquanto que em cima falamos de um Governo que leva o país ao fracasso, quando o discurso dos passivos é de que não podem e precisam que o outro façam por eles não sendo os seus esforços os mínimos possíveis para chegar no objetivo traçado. Fazemos uma crítica pois tentamos e queremos empreender, mas precisamos de um país que pense de maneira diferente buscando por mais livre iniciativa e trabalhando com negócios que façam a economia crescer.
Os empreendedores conseguem visualizar uma oportunidade onde muitos não conseguem ver. Eles precisam ter um arcabouço teórico mas também precisam de vivências que o façam tomar melhores decisões. E nesse processo todo de enxergar a oportunidade e querer lançar o produto, serviço ou experiência é interessante passar por áreas de conhecimento que se relacionem com aquele serviço para dar embasamento na decisão. O Design entra com a parte mais importante pois design é projetar, é designar, pois se temos algo que queira ser colocado em prática precisaria também passar por mãos de designers que também entrariam na parte de pesquisa e levantamento de dados, especificação de requisitos, prototipação, implementação e avaliação. Nesse processo de design onde um consumidor/usuário esteja participando do processo relatando suas necessidades e o seu contexto social, econômico e político induz o designer ao caminho que deve ser seguido.
Quando falamos de lentes, falamos de algo que nos possibilite enxergar com outra visão, onde podemos visualizar melhor uma situação e se essa pode ser melhorada como uma mudança cultural, abordamos em três pontos:
de negócio: que são as estratégias, planos de negócio, planos de marketing etc.
da transformação: que são as novas forma que podemos dar a uma situação ou contexto.
da inovação: que são as novas proposições que antes não existiam, ou se existiam tomaram novas formas.

Mas quem são esses empreendedores?
“Um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões.” Fillion, 1999, pág. 19
Podemos entender como empreendedor aquele que inova, que enxerga oportunidades, que é proativo, que não fica fazendo utopias e parte para a ação.
O empreendedor é um ser humano e por natureza é um ser que fabrica coisas como fala Vilém Flusser a respeito do Homo faber onde:
“Por outro lado, a designação Homo faber […] denota que pertencemos aquelas espécies de antropoides que fabricam algo.”
No campo do design e em nosso tempo não criamos somente soluções de matéria física, mas criamos soluções digitais e ou tecnológicas. Quando pensarmos em tecnologia não devemos pensar somente em computadores, ou similares coisas que possam ligar e desligar. A tecnologia seria o estudo da técnica e essa técnica tem uma definição, na qual tomamos por interessante, onde Jacques Ellul diz que “a técnica assume hoje em dia a totalidade das atividades do homem, e não apenas sua atividade produtora” o que corroboramos.
Para que possamos melhorar o cenário econômico do país precisamos mudar nossas atitudes, nossa cultura e tomarmos consciência dessa necessidade de surgir novas idéias, novos negócios e termos uma economia mais forte. Pois se quisermos trilhar esse caminho mais fácil podemos começar de agora buscando compreende melhor o nosso espaço, buscar lacunas e propor uma nova solução.