O veneno cotidiano dos relacionamentos afetivos

(IMAGEM: Bicicleta para dois — Carolina Carmo)

Já faz um tempo que venho sentindo e observando (e sim, é doloroso) o quanto os relacionamentos héteros são nocivos com as mulheres… O romantismo cego que ainda nos escraviza, criando esse falso ideal de felicidade no amor. O casamento como mais uma instituição falida que oprime a mulher. A maternidade como desfecho de uma sociedade doente que sempre passa a mão na cabeça dos homens e sufoca a mulher, numa sobrecarga física e emocional condenáveis.
Aquele lance que sempre falamos, né, por que é que todo relacionamento começa super legal, depois os caras vão ficando meio relaxados, a gente finge que não tá vendo, uma vez ou outra eles fazem algum agrado (medíocre) e lá estamos nós de novo nesse ciclo de aceitação da mediocridade, do meio termo, do… MORNO. Isso quando os níveis de respeito e reciprocidade não caem drasticamente, chegando muitas vezes à violência verbal e emocional. E se a gente questiona é tida como louca. Por que não, né? A gente sempre está louca. E chata. E cheia de balelas, não é mesmo?

Afinal, por que estamos reclamando, o fulano nosso companheiro é um cara tão bacana, as amigas gostam dele, é legal estar com ele. Lógico, quando ele está afim, afinal, há momentos em que ele simplesmente quer que a gente se foda, mas não fala explicitamente e a gente acaba arrumando desculpas: “ele só está um pouco ocupado com o trabalho”. O que não percebemos é que antes as funções dele eram as mesmas, ou mais, mas como ele estava empenhado em nos agradar, tinha um esforço em fingir ser um cara que ele não era.

(IMAGEM: Cami Ilustraciones — @camyjc)

Mas e a mulher? Qual o seu papel? Ela tem que entender, afinal, todo relacionamento é assim, depois de um tempo perde um pouco o encanto para os caras. E é a gente tem que sempre buscar inovar e sair da rotina, estar sexy e agradável, saber se calar quando ele estiver cansado demais pra nos dar atenção. E o mais importante: NUNCA, nunca exigir nada, porque homem nenhum gosta de ser cobrado. 
Aí me pergunto: como pode ser assim, cada ser humano ser tão diferente e a gente ser capaz de traçar um perfil tão certeiro dos caras que eu, você e outras amigas se relacionam ou se relacionaram?

(Sthefany Leal)

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