2017

Um ano repleto de descobertas.

Durante o início tive a oportunidade de fazer amigos novos, criar laços, viajar e conhecer amigos antigos que eu nunca tinha visto e, graças a eles, ter uma das melhores experiências depois de tantos anos de viagem para o R.J.

Mas aí eu voltei pra casa, e então tudo desandou.

Laços quebrados, coração partido, problemas de saúde, problemas psicológicos, problema familiar, mais laços quebrados.

E então brilhou uma pequena faísca de esperança em um ano que parecia perdido: o sonhado estágio!

Conheci gente nova e me aventurei em uma área nunca explorada. Me descobri, me esforcei, me dediquei. Não só ao trabalho, mas também no tratamento daquilo que eu sabia que era um dos meus maiores inimigos: minha própria cabeça.

Estava tudo caminhando relativamente bem. Estava começando a controlar tudo. Estava tudo começando a andar no trilho.

Comecei a me entregar para alguém e, como sempre, não pareci suficiente. Assim como a relação antiga, faltou sinceridade, mas não da minha parte.

E aí surgiu outra oportunidade de estágio, que sinceramente, parecia uma das melhores coisas que poderiam me acontecer, e de certa forma foi.

O novo estágio me ajudou a descobrir novas paixões no meu curso, desviar minha cabeça de assuntos que me tiravam o sono. Eu estava profissionalmente realizada.

Porém esse estágio me tomou muito tempo e tive que abandonar o que parecia ter virado rotina, mas era essencial pra mim: a terapia.

Foram dois meses de batalha psicológica. Eu x Eu.

Enfrentava meus próprios demônios todos os dias, a partir do momento que eu acordava até ir dormir.

Eu me esforçava para não levar esses problemas ao trabalho. Só queria parecer ser forte. Maior que eles.

Mas eu sozinha não fui suficiente. Durante muitos dias eu perdi diversas batalhas. Chorei no trabalho, no ônibus, na rua, em casa.

Seguia tentando, afinal desistir nunca foi uma opção, até hoje.

Hoje, 01/01/2018, eu travei uma das piores batalhas que eu já tive que enfrentar durante todo esse tempo de tratamento: a automutilação.

Foram 20 minutos chorando trancada no banheiro, segurando uma lamina para barbear, procurando uma explicação.

Por qual razão me punir por ser quem eu sou faz sentido na minha cabeça?

Busquei conselho de amigos, mas eu sei que eles não têm a obrigação de me salvar, afinal só eu posso fazer isso.

Sendo que não deixei de fazer por que era ruim.

Deixei de fazer porquê minha família estava toda na minha casa e eu não queria ter que me explicar e ver aquele olhar de preocupação e pena que eles sempre fazem.

Então fui até meu quarto e me livrei de todos os meios de comunicação.

Não queria que isso chegasse aos meus amigos também.

Mas parece não ter feito diferença. Apenas desistiram.

Cansaram.

Eu não os culpo, meus demônios atrapalhavam eles também.

E como eu já disse, eles não têm obrigação de me salvar.