Entrevista exclusiva com Karina Oliani

A Karina é modelo, médica de aventura, bicampeã brasileira de wakeboard, instrutora de mergulho, recordista brasileira de apnéia, repórter radical e viaja o mundo atrás de aventuras extremas. Você também pilota helicóptero, né? Karina, esqueci de alguma coisa?

Eu fui estrutura de mergulho autônomo também e fiz o curso de helicóptero há 3 anos atrás e sou pilota de helicóptero quando dá tempo…

Karina fale um pouco para gente de onde surgiu tudo isso?

Olha Bia, eu sou uma pessoa que gosta de muitas coisas e eu sempre precisei estar sendo desafiada, então sempre fui buscando novos desafios e a medicina além de me desafiar muito atendia a necessidade que eu tinha de ajudar as pessoas, sabe? De sentir que eu estava sendo útil e que estava realmente conseguindo fazer a diferença e ajudar as pessoas na hora que ela mais precisava, por isso que me especializei em medicina de emergência e resgate.

O curso de pilotagem de helicóptero veio porque eu queria trabalhar com resgate aero médico então achei muito importante eu ter no mínimo noções básicas de pilotagem já que ia estar sempre dentro de helicóptero buscando vítimas e pacientes…

E o repórter radical veio muito por acaso, eu nunca busquei estar na TV mas eu recebi um convite para apresentar um programa de esportes radicais, justamente porque eu sempre pratiquei esportes radicais desde pequena.

Fiz o meu primeiro salto de pára-quedas quando tinha 12 anos de idade, e comecei a mergulhar, já fazia mergulho autônomo…com 16 anos fui campeã brasileira de wakeboard.

Alguém em casa, primo, amigo que tenha te inspirado, te chamado para os esportes?

Eu mesma fui buscando… Sempre tive a minha família que me apoiou demais, mas ninguém gostava de esportes radicais, ou se arriscava tanto. No que eles me ajudaram bastante foi porque eles sempre foi no quesito viagens pois sempre me levaram para viajar com eles, então fui conhecendo vários lugares diferentes e culturas e fui desenvolvendo esse gosto por viajar, aventuras, expedições…

Teve algum evento específico na sua vida que tenha te marcado e feito você desenvolver essa vontade de ajudar as pessoas?

Não teve um específico, mas vários, pois sempre quando eu via pessoas em situações difíceis eu queria ajudar, e por mais que não tivesse tanto conhecimento eu tentei ajudar de alguma maneira e aí fui desenvolvendo o querer ter conhecimento para poder ajudá-las da melhor forma possível.

Você é especializada em medicina de áreas remotas e responsável pelo projeto medicina de aventura no Brasil, conte um pouco sobre esse projeto?

É um projeto onde tenho mais dois sócios. Eu fui para os E.U.A. depois que me formei em medicina aqui no Brasil e fiz uma especialidade que se chama: Wilderness Medicine, que se formos traduzir ao pé da letra é medicina do meio selvagem, mas eu chamo de resgate e emergência em áreas remotas. O Wilderness tem vários braços. Um deles é a medicina de montanhas em extremas altitudes, outro é medicina do mergulho, medicina de guerra, medicina espacial, então são braços da medicina muito específicos, por exemplo, um médico que trabalha na cidade, sabe muito pouco sobre o que acontece com o corpo humano em altitudes de 7, 8 mil metros de altitude. Isso acabou me despertando muito interesse até por fazer parte de algo que eu sempre fiz, que são os esportes de natureza (outdoor) e esportes radicais.

Quando você era estudante de medicina, você já pensava em integrar a paixão pelos esportes a sua profissão?

Eu pensava, mas não sabia muito bem como…eu pesquisei bastante até encontrar a Wilderness Medicine. Procurando na internet encontrei o site wms.org da Wilderness Medicine Society que hoje é representado por nós aqui no Brasil. A sede deles fica em Utah nos E.U.A. e eles são um órgão que tem várias instituições no mundo inteiro afiliados a eles, que regulamentam e estudam e fazem muitos trabalho de pesquisa em medicinas de área selvagem.

Karina, você pode dizer que ama o seu trabalho?

Sim, eu posso dizer que sou apaixonada pelos meus dois trabalhos.

Karina, você consegue diferenciar o que trabalho e o que é hobby?

Não mais Bia…quando eu vou trabalhar eu sinto que é exatamente o que eu gostaria de estar fazendo se tivesse no meu tempo livre. Mas agora eu tenho um hobby que é só hobby. Quando era pequena pensei até em dançar profissionalmente pois fiz muitos anos de dança. Eu adoro sair para dançar e agora isso é algo que só como hobby mesmo…

Mas a medicina e os esportes radicais eu simplesmente adoro fazer!

Dentre dessas atividades profissionais que realiza hoje, em quais momentos você se sente mais realizada?

Uma das coisas que mais me dá alegria é conseguir salvar uma pessoa, não só salvar a vida, mas dar um conselho, um conforto emocional para o paciente que está precisando numa hora difícil.

No trabalho na TV, é quando estou no meio da natureza fazendo um esporte super extremo que me desafia e eu consigo fazer bem. Consigo saltar da maior ponte do mundo, ou descer um rio super perigoso…

Conte para gente uma experiência que tenha marcado sua vida profissional?

Nossa, eu tenho várias… A medicina é uma profissão que exige muito da pessoa, mentalmente, fisicamente, o tempo que é investido e o preço de ser um bom médico é se dedicar totalmente a ela. Mas acho que uma das coisas que a medicina que dá de volta e não tem como negar, é a satisfação plena e uma vida muito intensa, então você passa por situações de vida e morte quase todos os dias, situações extremas. E você vê coisas muito bonitas acontecerem e coisas muito triste acontecendo, mas a intensidade que se vive é algo muito bonito e que me realiza, tanto os momentos bons quanto os ruins.

Dentro de seu trabalho você tem que fazer decisões rápidas, quais são os valores do qual você não abre mão para tomar decisões?

De fazer para o meu paciente o que eu faria para mim ou para uma pessoa da minha família.

Você segue alguma religião ou filosofia de vida?

Tenho uma filosofia muito importante que desde pequeninha, sempre acreditei demais que pode ser traduzida em: faça para os outros o que gostaria que fizessem pra você. Que seria na ciência a lei de Newton, da ação e reação, o que você faz acaba voltando pra você. No budismo seria o principal mandamento, trate os outros como você gostaria de ser tratado. Em cada âmbito fala de maneira, mas pra mim isso é uma lei infalível.

Qual é a sua definição de sucesso?

Ser feliz de uma maneira que você consiga fazer também os outros felizes. Algumas pessoas só pensam na felicidade própria, mas eu não acredito que essa seja a felicidade verdadeira. Quando só você está feliz, que felicidade é essa? Quando você está feliz e também fazendo outros felizes, aí sim você conseguiu a felicidade e o sucesso plenos.

Karina, em uma frase, qual a mensagem que você deixa para as pessoas que buscam a realização profissional?

“The effort you put into your life is equal to the pleasure you get from it”, significa que o esforço e a dedicação que você põe nas coisas da sua vida, serão iguais ao prazer e o sucesso que terá de volta. Isso faz eu me dedicar 100% as coisas que estou fazendo.