Coluna do Jornal Imaginário [I] — Dilma e a Mitologia Grega

Brasília, uma cidade juvenil criada com linhas tão modernas, de repente ganhou ares de Grécia Antiga. Entre tantos políticos buscando poderes de semideuses, Dilma observa sua sorte sendo lançada.

O PT subiu aos céus e deu asas ao seu sonho. Por um momento, quando a esperança venceu o medo, Lula virou deus. Ou Zeus. Com seu carisma e um governo moderado e de união, foi reconhecido como estadista pelo mundo inteiro.

Entretanto, tal e qual Ícaro, chegou perto demais do sol e suas aspirações derreteram como cera. O partido não perdeu para a oposição. Foi uma batalha difícil, mas tanto fez que foi derrotado por si mesmo e se perdeu.
De Ícaro se transformou em Prometeu, e está acorrentado no Monte Cáucaso da opinião pública, com o fígado sendo devorado constantemente pelos abutres dos fatos e boatos, que muitas vezes se misturam.

A oposição continua sonhando em ser Perseu e cortar a cabeça da medusa da corrupção, da inveja e de todos os males. Mas até para mitologia há limites e o máximo que acontecem é ficarem petrificados perante a verdade.

Na tentativa de surgir um herói para enfrentar o grande vilão que se tornou o PT, na figura da presidenta da república, até Eduardo Cunha quer virar ator principal. Ele, que comandou a Telerj na época do trote do Pareto, agora tenta dar um trote em todos nós.

À margem disso tudo, Dilma. A presidente, com biografia respeitada na história de lutas contra a ditadura, que carregava a esperança de seus eleitores de esquerda e centro-esquerda, hoje está mais perdida do que David Luiz no Mineirão contra a Alemanha. Não consegue chamar a responsabilidade, não é defendida pelo partido e assiste à sua popularidade minguar, dia após dia.

Solitária, apanhando seguidamente, a presidenta vem aguentando firme como um lutador de boxe experiente. Entretanto, não tem força para revidar. E, de forma nada mitológica, vem se tornando a Geni do país. Tudo é culpa da Dilma. Mesmo que seja estadual. Ou municipal. Ou a defesa do Flamengo.

Enquanto esperam a falência política da presidenta, os semideuses opositores de Brasília tentam virar protagonistas. Já os semideuses vestidos de vermelho e com estrela têm pretensões mais modestas: sobreviver.

Pelos corredores nada mitológicos da Câmara dos Deputados, rumores já não falam em “se”, mas em “quando” o impeachment vai acontecer. Ainda não sabem a arma que será usada para fomentar o golpe — com trocadilho.

Apática, sem se defender e apenas resistindo bravamente aos duros ataques, Dilma espera que o sol apareça. Senão, pode ser morta politicamente, por alguma das flechadas que são disparadas sistematicamente pelos adversários.

E, se isso acontecer, resta saber, aos moldes de mais uma lenda mitológica, o que acontecerá com Dilma: a oposição colocará alguma moeda em sua boca, para que o Caronte Eduardo Cunha faça a travessia pelo rio de Hades do impeachment? Ou ela vagará, zumbi, pelas margens de Brasília até 2018?

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