Ansiedade 101

Segundo o wikipedia, ansiedade é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso etc. Estima-se que cerca de 8 a cada 10 pessoas passa ou passou por frequentes crises de ansiedade durante a sua vida.

No meu caso, a ansiedade sempre esteve presente. Quando eu não via a hora de sair da escola e voltar para casa. Também quando eu esperava no aeroporto para realizar a minha primeira viagem internacional. Sempre esteve lá. E muito embora fosse algo constante, sempre senti de certa forma que aquilo era uma forma de tornar a experiência ainda mais proveitosa, dando aquele estranho frio na barriga e tornando a realização de qualquer tarefa ainda mais recompensadora.

Mas, de uns tempos pra cá, essa ansiedade deixou de ser algo “agradável”. Passou a afetar o meu trabalho e o meu raciocínio, causando eventualmente uma certa confusão, além de desviar a minha atenção de coisas que deveriam ser importantes. Passou a se manifestar em situações corriqueiras, cuja razão eu simplesmente não entendia. Frequentemente me pegava angustiado e triste, sem razão aparente. Foi quando eu concluí que talvez precisasse de ajuda.

Mas dada a natureza do meu trabalho — que, de maneira abstrata, se resume em entender e solucionar problemas através de uma ação— passei a buscar recursos, me informar e de uma maneira bastante DIY, procurar maneiras de lidar com esse problema.

De onde vem a ansiedade

O ponto de partida é buscar entender o que origina esse sentimento. A ansiedade, ao meu ver, é causada por diversos fatores, mas primariamente por medo. Medo de ser interrompido. De mudar drasticamente o sentido da vida. De ser exposto. De ser um fracasso aos olhos dos outros. De perder.

O ser humano parece ser incapaz de aceitar ou mesmo compreender que a perda é inevitável. Se não agora, logo mais. Quão irônico é pensar que a única coisa permanente é logo a própria impermanência.

Mas confesso, é difícil abstrair. Mesmo quando o entendimento existe, é difícil aceitar que tudo que vem, vai. Sem excessão. E que nem sempre as coisas acontecem no tempo e da maneira que gostaríamos. De fato, existe uma lacuna enorme entre o saber e o exercer. E isso nos leva ao próximo fator:

Como reagimos diante da ansiedade

Diversas vezes eu me peguei distraído e, de repente, estava completamente desfocado, me sentindo triste ou eufórico e sem entender o porquê. Minha reação automática diante dessa situação era a busca desesperada por entretenimento. Dessa maneira, eu não necessitava lidar com o problema e talvez ele até mesmo deixasse de existir. Será?

Não é necessário dizer que isso não funciona a longo prazo. Se o objetivo é entender as nossas emoções, ignorá-las não nos traz a solução. Operar no autómatico ou simplesmente reagir inconscientemente não funciona nesse caso. Precisamos ir adiante.

Experimentando com a ansiedade

Antes de mais nada, gostaria de frizar que não sou nenhum especialista, muito menos tenho qualquer conexão formal com psicologia, exceto o interesse pelo assunto. O que eu vou sugerir aqui pode não funcionar para você, e isso, de fato, frequentemente varia de pessoa para pessoa. O meu objetivo aqui não é criar um guia detalhado, e sim, ser uma faísca que faz com que cada um possa se questionar a buscar entender o seu comportamento diante de algo tão comum nos dias de hoje quanto a ansiedade. E que possamos cada vez mais aprender uns com os outros e nos beneficiar da inteligência coletiva.

Escreva

Escrever é uma prática interessante. Ao escrever, estamos transportando nossas ideias para algo sólido. Tiramos aquelas palavras perdidas que vivem apenas dentro do nosso universo e, ao contextualizarmos, damos a elas significado.

É o mais próximo que se pode ir de um devaneio para algo concreto. Há algum tempo, descrobri que escrever sem nenhum filtro, sem nenhuma regra gramatical, me fazia um bem enorme. Era como uma descarga. Ao ver todo aquele pensamento saindo, mesmo que de forma desorganizada, repetidamente concluía que determinadas ideias nem mesmo faziam sentido e percebia o quão instável a minha mente podia ser. Externalizar isso me fazia ver as coisas de uma perspectiva diferente.

A próxima vez que estiver ansioso, experimente abrir o seu editor de texto favorito e escreva sem se preocupar com a gramática ou qualquer outra regra. Apenas escreva.

Faça algo com propósito

Fazer algo com propósito nos leva a um estado mental diferente do de quando estamos executando uma tarefa que não nos agrega. Diante da ansiedade, executar algo com propósito, como por exemplo ajudar alguém, faz com que deixemos de lado as nossas preocupações, nos tirando do centro do nosso próprio universo e fazendo com que esqueçamos por um momento os nossos problemas, eliminando a famosa síndrome do protagonista.

Reserve um momento do seu dia — ou semana — para trabalhar em algo com que você se importa e acredita e procure manter um certo hábito em relação a isso. A ansiedade passa a ser secundária e não impeditiva quando existe algo maior envolvido.

Realize uma tarefa manual

Isso pode soar estranho, mas executar uma tarefa manual pode realmente aliviar os sintomas de ansiedade. Isso não é apenas um devaneio. É uma percepção real. Ao executarmos alguma atividade de maneira manual, nos atendo aos detalhes da execução, acabamos por comtemplar algo bastante estudado através do conceito de mindfulness: estar presente.

Deixar de lado as complexidades da mente por um instante e nos focarmos apenas no processo mecânico e repetitivo de uma tarefa manual faz com que estejamos presentes naquele momento. E isso é imprescindível para que possamos compreender a próxima habilidade em sua totalidade.

Aprenda a meditar

Meditação é uma tendência atual. Pessoas do mundo todo têm investido tempo e esforço em entender e desenvolver a técnica milenar budista buscando aliviar o sofrimento.

O interessante é que meditação não necessariamente precisa ter um cunho religioso, e na verdade é assim que eu gosto de interpretá-la. O ato de meditar não requer a capacidade de não pensar em nada, mas sim, que não nos apeguemos a pensamentos que certamente irão vir durante o processo. Também não é necessário, se não for do seu agrado, praticar fazendo uso de posições tais como full-lotus ou half-lotus. Busque apenas estar confortável, seja sentado ou deitado, em algum lugar silencioso de olhos semiabertos e procure relaxar. O corpo se adapta e, conforme a prática, aprende a fluir com facilidade.

De qualquer maneira, as chances de você se sentir ansioso nas primeiras vezes ou achar que de nada adiantou são grandes, mas tudo isso faz parte do período de adaptação. Pergunte-se a si mesmo: Quando foi a última vez que dedicou 5 minutos do seu dia apenas para observar as suas emoções?

Uma das competências mais interessantes que se adquire ao exercer o hábito de meditar é entender que não precisamos reagir às nossas emoções. Isso, para mim, foi um ponto decisivo para entender que passamos grande parte da nossa vida reagindo e pouco agindo. Muito embora se diga que não devemos buscar nada na meditação, é impossível não perceber os benefícios uma vez que introduzido o hábito à rotina.

E você, como lida com a ansiedade?
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