Oriônidas

Entre o fim do começo, e o começo do fim,
toda perda é uma pedra a se carregar como derrota;
É como se sentir bêbado, de tanto ter bebido do azar e da dor de perder;
É como sentir a culpa de não aguentar a espada que lhe rasga ao meio;

M(ás)…

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente de perder,
que perde-las…
Não é nenhum mistério

Enquanto espera-se da noite um grande amor;
Não vê-lo, é sim, motivo de dor;
Visto que devia estar esperando,
Somente os mistérios desse imenso espaço quântico;

Não quero mais esperar pelo incerto, 
A binaridade dessa vida me venceu em seu triunfo;
Deve se preferir estar aqui, observando a queda livre de corpos celestes, ardentes em chamas;
Do que essa vida ser a certeza da minha noite, a meia noite…

Quase que uma noite mal dormida, em uma vida, mal vivida…

A ciência me mostra que o que sinto por você é só uma química para nosso sucesso reprodutivo;
Me mostra que observar a chuva de meteoros, agora, é bem mais produtivo…

Deixei queimar, ainda que sem oxigênio, 
Toda a química por ti, em mim, enrustida…
O oxigênio que se encontrara em minhas células, em silencio,
não foi suficiente para manter a química por ti viva.

Acho que a partir daqui eu entendo, o que significa,
“O amor é fogo que arde sem se ver”;

O amor onírico, platônico, que existe em silencio,
Tão preso a nós, que ainda que sem respirar do oxigênio do lado de fora…
Do lado de fora, de nosso ser infantil;
Queima… Queima sem lirismo…

Queima, e morre, pois é preciso…

Perpetua em nossos seres, de modo sereno…
Quase como em um gesto obsceno…
A ilegalidade de um amor, dentro da binaridade…

A incoerência de um amor por quem prefere a superficialidade;
A incoerência de um amor sem intimidade;

A dualidade de um amor baseado em “vibe e positividade”;

What have I done?

I’ll burry you once again,

Do not worry about it

Dos meus sonhos você terá companhia…

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