Você não é o amor da minha vida

Este desabafo fala em nome de todas as pessoas que buscam um relacionamento leve, sem status no Facebook e sem fotos com textões de amor no Instagram.

Eu te olhei e nem por isso juntei seu sobrenome ao meu para ver se combina. Sorri para você e não baixei o aplicativo para ver como vai ser o rostinho do nosso filho juntando nossas fotinhos.

Bati o meu copo no seu, num brinde que juntava a pupila do meu olho na mesma direção da pupila do seu, que espontaneamente abria levemente os dois cantos da minha boca, mostrando os dentes limpos e nem por isso eu imaginei proibir você de jogar bola com seus amigos às quintas-feiras, mesmo você sendo o maior perna de pau.

Eu sei que você vem de um relacionamento frustrado, assim como eu, e não tenho pretensão nenhuma de brecar bruscamente seus momentos de lazer com toda a galera que te acolheu em meio à depre da fossa pós-término.

Eu não quero andar de mãos dadas com você nos lugares mais frequentados da noite e nem quero que todo mundo nos veja como um casal fofo.

Eu quero rir com você, poder mandar mensagem sem ser julgada de pegajosa, ou de apaixonadinha. Quero poder te chamar para comer quando eu tiver com vontade de sua companhia, quero poder te mandar áudio no Whatsapp quando estiver vontade de chorar ou para dar convite de algum show bacana.

Quero estar com você quando nós dois estivermos com vontade, mas não precisamos dar nomes, rótulos e cobrarmos qualquer coisa. Não se preocupe que você não é o amor da minha vida.

Isso lembra um poema que já escrevi no blog “Palavras entre Audácias”:

Eu não sou fumante, só quero um cigarro;
Eu não sou alcoólatra, só quero mais uma dose;
Eu não te amo, só quero que fique o resto da vida comigo.

Dá pra ser?

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