A procrastinação é minha desculpa

Sei que soa estranho.

Li um tweet que dizia o seguinte: “procrastinação é medo de errar”.
Às vezes, é o meu caso.
A folha em branco me afronta, seja um papel manteiga tamanho A3 ou o cursor piscando insistentemente na tela do word — é tão melhor lidar com caderninhos cujas páginas se preenchem tão facilmente ainda que minha letra seja pequena…! Os desenhos sempre foram mais difíceis que as palavras, pois gritam a minha incapacidade desde a prova de admissão do curso. A folha vazia se torna enorme e o máximo que consigo fazer é passar uma planta do entorno a limpo e escrever um carimbo (palavras, novamente) pra passar uma falsa ideia de organização ao professor e também a mim.

Eu fugi da primeira avaliação/orientação de projeto. Assim, não no sentido literal da palavra, pois precisaria ter saído de casa para efetivamente fugir, como já fiz numa aula de planejamento urbano em que me tranquei no banheiro pra chorar e acabei por ir embora. “Evitei”, seria a melhor palavra.
Não desenhei nada, não tive nenhuma ideia. Olhei as plantas, a maquete eletrônica, as fotos, os slides sobre “completar a cidade” e “o olhar do arquiteto”, mas não consegui me obrigar a fazer nada. Abri o twitter, o instagram, o facebook, o pinterest, tentando acreditar que o desenho viria num surto de criatividade e tudo se resolveria.
Não resolveu; não tinha nada, então não fui.

As aulas voltaram no dia 27 de agosto. Tivemos duas semanas de aulas teóricas, uma semana de folga (a da Pátria, em que prometi que avançaria em tudo que já está atrasado, assim como também prometi que estudaria pra certo concurso público assim que saí do estágio) e agora esta. Estou com pouquíssimas aulas por mês, cerca de 6 tardes, e ainda assim, com o perdão da palavra, estou fazendo porra nenhuma. A banca é no máximo dia 21 de dezembro. Comecei outra dieta ontem e a me exercitar, como se já não fosse tarde demais pro teste ergométrico e exames de sangue que tenho na sexta-feira ou não desistisse logo.

Escrevi aqui que o medo de errar às vezes é o motivo da minha procrastinação. Ouso dizer que não é o mais recorrente (e, dessa vez, deixarei a questão da depressão e desânimo de lado) e posso resumir muito bem: se eu deixar as coisas pro último minuto, não é que eu trabalhe melhor sob pressão, e sim que eu terei uma desculpa pra falhar.
Veja só, antes da minha pré-banca do semestre passado eu fiz uma apresentação porca que sequer usei e tive náuseas chorando o dia todo de desespero invés de apenas sentar a bunda na cadeira e não me sentir esmagada por livros e um powerpoint vazio. Trabalhar sob pressão não é minha predileção, mas veja só, é minha desculpa.
Minto pra mim e minto pros outros. Afinal, se saiu ruim, se reformulei um projeto todo ou se fiz um relatório de 30 páginas em uma semana não é porque me dou bem com a cobrança iminente. É porque, se ficar uma merda, eu posso muito bem dizer que é porque foi de última hora, e não que o problema sou eu e minha incompetência.

E com esses quase 30 anos, não tomo jeito.

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