Abaixo da média

Estou me sentindo miserável ao sair de casa. Não é exatamente pelos lugares lotados ou preguiça. É por me sentir um lixo.

É fútil, pelo menos eu acho. Quer dizer, nem sempre. Autoestima é algo necessário à felicidade, não? Estar de mau com sua aparência amargura qualquer um, certo? Só que eu sei que existem problemas muito maiores por aí e também me sinto leviana em me preocupar tanto com isso.

Eu vejo pessoas e me escravizo em comparações.

E, assim, eu sou privilegiada pra caralho. Eu pude nutrir minha poupança com os estágios porque nunca precisei colocar um centavo em casa. Meus pais sempre me bancaram, fiz cursinho, estudei em escola particular até o ensino médio, e aí recebia dinheiro pro transporte e almoço enquanto fazia o curso técnico. Mesmíssima coisa durante a faculdade, que levou um tempão. Nunca precisei sequer levar marmita até esse último estágio, em que não sobrava tempo nem tinha onde almoçar.
Do mesmo modo, se eu quiser, posso simplesmente torrar o que guardei em cosméticos, roupas, passeios e até livros — o que, basicamente, já é o que faço, mas com certa parcimônia.

Vai ver esse é o problema. Eu posso ter uma aparência melhor, eu posso bancar isso. Ou eu posso ser culta e melhor aluna pra compensar, quem sabe uma pessoa melhor, mais doce, mais amável. Mas eu não quero me esforçar pra nada disso (não quero e finjo que não consigo, acredito).
A minha vida toda eu reclamei do meu corpo, mas eu não consigo manter uma dieta, rotina de exercícios ou reeducação por mais de dois meses. Não consigo ter uma comunicação não-violenta. Não consigo frequentar salões de beleza ou clínicas de estética. Não consigo pagar mais caro pelo que está na moda ou ter coragem de usar. Não consigo me esforçar nos estudos.

Não consigo ser suficiente.

Eu só queria ser assim, igual a essas meninas do instagram. Mas, é claro, sem empenho algum.