Mãos frias, coração quente


Sinto muito. Não, não é um pedido de desculpas; eu só sinto demais.

Isso vai parecer uma homenagem à minha cabeça-dura, mas já te aponto que não o é - ou talvez seja, visto que até gosto desse meu jeito.

Não quero perdão pelo que tenho, mais ainda, pelo que sou. Eu sei que é comum se desculpar, e também sei bem que já muito o fiz no passado.
Chorava, me desculpe.
Entristecia, me desculpe.
Por algum motivo não estava bem, me desculpe.

Pelo sorriso à toa, perdão.
Por rir alto vez ou outra, por exagerar.
Por sentir.
Por ser eu.

Demorou pra eu perceber. Vê só, as pessoas mexem com a gente de um jeito que sentimos sermos errados. Assim, apenas por existir, apenas não daquele jeito que elas queriam.

Eu sou exagerada. Eu sou, só sou.
Sinto muito, sinto demais.
O que dói, dói desesperadamente.
O que amo, amo excessivamente. 
Não nego que é difícil, sou complicada, mas não me arrependo.

Não quero seu perdão se não tenho culpa de não ser o que você queria. Se eu estiver errada pelo que fiz, hei de me desculpar. Mas por ser eu mesma?
Nunca mais.

Vou continuar desejando as pessoas por inteiro, sim. 
Vou continuar ouvindo que sou louca, desvairada, desesperada, que mudo feito as fases da lua, que exagero, que não sei o que faço.
Nenhum de nós sabe o que faz.

Vou continuar aparecendo na casa de alguém por sentir que a pessoa precisa, vou comprar uma passagem pra te ver em outro estado após só 15 dias, vou te levar um livro por lembrar de você, vou fazer qualquer uma dessas coisas que me são o mínimo, mas a todo mundo é “demais”.

“Demais”, na maior parte dos seus usos, tem a ver com algo bom, não esse exagerado que vocês maldizem.
Porque a vida média, pra mim, não tem graça.

Você quer ser intenso? Quer um amor como dos filmes?

Ah, eu quis, eu quero. Eu te dei tudo, como é meu costume.
Seu morno não combina com o meu quente.

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