Oportunidades Assimétricas no Mercado de Bitcoin no Curto Prazo

A depender de uma simples canetada da SEC (a Security Exchange Commission, o órgão regulador do mercado financeiro estadunidense), com data marcada para o dia 11 de março próximo, o mundo financeiro poderá sofrer uma transformação histórica.

Esta data é o prazo final para a SEC rejeitar ou aprovar o COIN, um fundo de investimentos lastreado em Bitcoins a ser negociado em bolsas de valores na modalidade ETF (Exchange Traded Fund). O fundo COIN possibilitará aos investidores aproveitar a volatilidade do mercado de Bitcoins sem envolver-se diretamente na negociação da moeda digital.

O COIN está estruturado na forma de um trust, e funcionará nos moldes dos fundos de metais. O trust possui uma certa quantidade de Bitcoins, e emite um certo número de cotas. Ao adquirir uma cota, o investidor adquire uma fração dos Bitcoins que o trust detém.

O mercado espera uma movimentação de preço nos mercados de Bitcoin similar à ocorrida no mercado de ouro físico quando da introdução dos primeiros ETFs lastreados em ouro, em 2005. Até então, o investidor interessado em exposição ao ouro não encontrava produtos de fácil negociação. A aquisição e armazenagem de ouro físico e a participação nos mercados futuros era coisa para especialistas. Os mercados tinham baixa liquidez e pouca transparência. De uma hora para a outra, tornou-se possível adquirir exposição ao ouro com a mesma facilidade com que se adquire ações de uma empresa. Como consequência, o mercado de ouro físico cresceu com a demanda originada pelos ETFs. Nos dois primeiros anos de negociação, os ETFs lastreados em ouro movimentaram US$ 10 bi, contra US$ 1 bi negociados antes de sua introdução. Hoje em dia são mais de US$ 150 bi.

Da mesma forma, investidores interessados em exposição ao Bitcoin poderão fazê-lo sem se preocupar com a segurança de carteiras digitais complexas, as quais ainda hoje são difíceis e incompreensíveis para a maior parte dos indivíduos, pois requerem uma certa capacitação técnica. Hedge funds, fundos de pensão e outros investidores institucionais poderão obter exposição ao ativo, o mais líquido de uma classe totalmente nova, as moedas criptográficas.

O fundo COIN é gerido pelos controversos irmãos Winklevoss, supostos idealizadores do Facebook, beneficiários de um acordo extrajudicial que lhes garantiu cerca de US$ 100 milhões em indenização por terem sido excluídos da sociedade com seu ex-colega de Harvard Mark Zuckerberg. Tudo leva a crer que a indenização foi bem aplicada, já que os gêmeos alegadamente possuem cerca de 1 % dos 16 milhões de Bitcoins atualmente em circulação. Há mais de três anos os Winklevoss fazem de tudo para tentar convencer a SEC que oferecem aos investidores garantias suficientes para mitigar os riscos de segurança e as incertezas do Bitcoin.

De acordo com Spencer Bogart, analista da Needham & Co., uma das únicas empresas de análise de Wall Street que cobre o mercado de criptomoedas, a aprovação do fundo COIN poderá captar US$ 300 mi para o ativo somente na primeira semana. A Emerita Capital avalia que este fluxo poderá, no médio prazo, ejetar o preço do Bitcoin para além de USD 3.600 — ou seja, uma valorização de mais de 200 % sobre o preço negociado hoje, que gira em torno dos USD 1200. Por outro lado, a Needham avalia que a probabilidade da aprovação do fundo pela SEC gira em torno de 25 %, e em caso de rejeição o preço do ativo poderá cair cerca de 50 %.

Os especuladores familiarizados com o mercado de Bitcoin vêem uma rara oportunidade assimétrica, na qual podem arbitrar risco e retorno de uma forma mais objetiva do que de costume. Em função disso, o mercado se mostra fortemente comprador, com uma alta de quase 35 % em duas semanas, levando o preço do Bitcoin a superar ao seu mais alto valor histórico em 23 de fevereiro, atingindo US$ 1200 em diversas praças de negociação.

Por mais arriscada que a posição comprada possa parecer, o mercado de Bitcoin já oferece mecanismos de hedge para os especuladores mais arrojados. A Bitmex de Hong Kong, uma plataforma de derivativos denominados em Bitcoin que negocia cerca de USD 60 milhões diariamente lançou no dia 8 de fevereiro um contrato preditivo futuro que permite aos especuladores apostar no resultado da aprovação da SEC. O valor do acerto do contrato em 11 de março próximo será de zero caso a SEC rejeite o fundo, ou 100 em caso de aprovação. No momento, o mercado estima a probabilidade de aprovação em entre 35 e 40 %.

Os compradores estão no controle por enquanto, e preferem apostar na valorização nem que seja para desmontar as suas posições antes do prazo final da SEC. Podemos esperar um aumento da volatilidade, com inúmeras oportunidades para entradas e saídas rápidas.