O que minha tia me ensinou sobre a comunicação

Ada Gomes
3 min readMar 2, 2022

O que é a comunicação?

Segundo o dicionário, comunicação é a “ação de transmitir uma mensagem e, eventualmente, receber outra mensagem como resposta.” Ou ainda, um processo que envolve um mensageiro e um receptor da mensagem.

Comunicação é também um processo que envolve a troca de informações entre interlocutores através de signos, sinais e regras que são entendíveis.

Eu já contei por aqui a minha história com a comunicação e como a literatura sempre influenciou minha vida, me levando a amar escrever ao ponto de escolher trabalhar com a comunicação escrita, com a redação. Durante esses anos em que exerci (e ainda exerço) a profissão de redatora, sempre busquei produzir conteúdos, sejam eles verbais, não verbais ou mistos, para todo mundo.

Hoje, a palavra democracia está um pouco banalizada, mas eu acredito na comunicação democrática enquanto uma comunicação que deve chegar em todo mundo, de todas as formas. Eu acredito na afetividade e na efetividade da comunicação como instrumento de mudança, de troca e de aproximação.

Dito isso, vocês devem estar se perguntando o que a minha tia tem a ver com a comunicação. Eu conto. Continua comigo!

O que minha tia tem a ver com comunicação?

A minha tia nasceu em uma casa cheia de irmãos, sendo ela uma das mais velhas. Cresceu na roça, ajudando os pais a cuidar dos filhos mais novos, nos afazeres domésticos e na plantação e colheita na fazenda de um Senhor (sim, daqueles senhores da casa grande, herdeiros de terras). Com tanta coisa para fazer, para garantir o sustento e a dignidade mínima da família, nunca sobrou tempo para estudar. Dado o contexto, há algumas semanas ela me mandou um áudio, me perguntando com estava aqui em BH, como eu estava e querendo saber do tempo (Araçuaí tá sempre calor e, aqui, essa temperatura louca). Eu vi que ela tinha me mandado o áudio, e na hora eu estava ocupada em uma reunião da firma, deixei para responder depois.

Quando fui responder, comecei a escrever a resposta. Ás vezes, eu gosto mais de mandar escrito do que mandar um áudio. Escrevi uma resposta curta, para não ficar uma mensagem muito grande e ia continuar contando as novidades, por escrito. No meio do caminho, eu parei, com uma cara de “o que eu estou fazendo?” e finalmente me dei conta de que eu não podia mandar aquele calhamaço de texto. Ele não ia ser entregue com a qualidade, afetividade e efetividade que eu precisava, porque a minha tia era analfabeta. Ela não sabia ler.

Fiquei um tempo me sentindo mal. Como eu, uma profissional da área da comunicação, que preza pela entrega da mensagem para todos, sem exceção e do jeito que o receptor precisa receber e entender a mensagem, deu uma bola fora daquela. Isso me fez pensar ainda mais em um dos propósitos que estabeleci para mim na minha carreira: eu quero fazer de tudo que estiver ao meu alcance para que a comunicação, a mensagem chegue em todos, sem distinção.

E um recado para as empresas: vocês precisam ter esse pensamento também. Não adianta dizer que é diversa e inclusiva só da porta para fora. É preciso ser no todo. Dentro e fora da empresa. E a inclusão e diversidade passa pela comunicação. Onde vocês querem chegar? Em quem você querem chegar? Pensem nisso!

É isso gente. Quis muito compartilhar essa história aqui, porque acho importante enquanto comunicadores, produtores de conteúdo, pensarmos como incluir, diversificar e acolher através do que nós nos dedicamos a fazer na profissão.

Um abraço!

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Ada Gomes

Turismóloga por amor, Conteudista por escolha. Sol em Peixes, ascendente em Leão, Vênus em Capricórnio. Canta na roda de amigos e escreve pra fugir da vida real