
A última semana de agosto foi agitada. Faltava pouco para a Cecília chegar. ANA estava decidida que queria um parto normal. Mais que uma escolha era uma filosofia de vida: bebês sabem nascer e mulheres sabem parir. O “problema” é que Cecília estava pélvica. Quase que geral disse que ela teria que ir pra cesária. “Se for necessária eu faço, mas só se for necessária”, disse.
O tempo estava no limite e a última tentativa de virar a bebê seria através da Versão Cefálica Externa (VCE). Na segunda, 27, partimos logo cedo para Botucatu, no interior de SP. A VCE seria feita por uma médica especialista (Dra. Claudia) da maternidade da Unesp. Esperançosos. Três tentativas foram feitas. Cecília não virou. Queria vir do jeito que estava, sem interferências. Nem Tudo dá Certo. Não ficamos frustrados. Nos fortalecemos. ANA teve ainda mais convicção do que queria. Cecília também. ESCOLHAS. Acalentados e muito bem assistidos pela Dra. Mariana Simões, mantivemos o plano. E geral apostando alto que a internação marcada para quinta, 30, já era uma preparação para a cesariana.
OFF. (É necessário se fechar para não ser afetado por pensamentos negativos. Na atual condição social, se sociabilizar no digital se tornou rotina, o “tete a tete” parece não existir mais. Conceitos revistos). Tudo pronto. NÃO. Chegamos ao hospital e em poucos minutos tivemos que retornar para casa. Sem quarto. Tranquilo. De volta ao lar. Dormir é quase impossível. Picos de ansiedade. Na madrugada de sexta, 31, retornamos ao hospital. Agora vai. Chá de cadeira. Pela primeira vez na história, assisti todos os jornais matutinos da globo, todos. A principal notícia do dia chegaria mais tarde.

Às 11h30 subimos para a sala de parto. Equipe reunida. Oxitocina ativada. Bob Marley faz a soundtrack. A gestante dança. Tudo muito tranquilo. A bolsa é rompida. O trabalho de parto evolui. Dor, muita dor (não sofrimento). Banho de água quente, massagem, relaxamento, bola de pilates. Nando Reis cantando um de seus sucessos. Força amor, você consegue. Corações batem acelerados. Horas passam. O primeiro pé de Cecília surge. MEU DEUS. Devagar ela vem. Todos na sala ficam na expectativa. Força. Falta pouco. Mais uma contração, força. Seja bem-vinda CECÍLIA.

ANA conseguiu. Elas conseguiram. Deus abençoou, Cecília chegou bem com o pé direito. Parto NORMAL. As escolhas estavam conectadas. Agraciado, agradeci pela benção de estar rodeado de pessoas incríveis. ANA, mais uma vez mostrou o quão forte é. Impossível não admirar, não amar, se envolver, se inspirar.
*Fotos: Mari Corsi
