Meu familiar/amigo(a) desenvolveu esquizofrenia, e agora?

A principio sou esquizofrenico, refratário e passei 7 anos escutando vozes perturbadoras, mentoras, auxiliadoras e cretinas. Há pouco tempo tive uma “recaída” e por 2 semanas escutei-as novamente. Descubro hoje que o irmão de um amigo meu desenvolveu esquizofrenia, e esse amigo veio falar comigo por um programa de voz comigo, sobre quais as chances dele voltar ao normal.

Primeiro, vou deixar claro que pessoas muito inteligentes tem sempre um problema. Mas deixemos isso de lado e vamos falar do que interessa: O que fazer quando alguém desenvolveu esquizofrenia?

Esquizofrenia não é um bixo de 7 cabeças, pelo menos para quem não tem, porque as vezes pode ter 7 vozes falando com voce num surto esquizofrenico. Entender um pouco por dentro do que acontece em uma situação de surto psicótico-esquizofrenico sem ser portador da doença, vai mais que percepção e observação, vai ouvir, vai inferir e questionar, vai também ter que trazer a realidade de volta ao sujeito, reeducando-o a viver depois do surto.

Todo surto esquizofrênico tem 3 etapas:

Pré-surto: onde alguns sintomas aparecem ocasionalmente. 
Surto: onde os sintomas emanam do psicológico do sujeito 
Pós-Surto: onde os sintomas vão embora, porém fica o trauma.

No pré-surto geralmente a pessoa começa a apresentar alguns sintomas que culminarão no surto, dependendo do tipo de esquizofrenia da pessoa. Sintomas como perseguição, depressão, stress, transtorno de ansiedade ou até mesmo a pressão diária: Sociedade, Emprego, Estudo pode desencadear um surto psicótico.

O Surto vai depende da fantasia da pessoa. No meu caso, vozes me falavam de coisas religiosas, por vezes cientificas, e as vezes eu nem entendia porque eram conceitos tão evoluídos e tão misteriosos para minha capacidade mental entender como vozes na minha cabeça estariam me ensinando estas coisas. No meu caso, foi semi-consciente, por vezes eu sabia tudo que acontecia, por vezes eu entrava em discussões de 36 horas com as vozes. Vi casos parecidos, onde o contexto religioso sempre aparece, mania de perseguição, criação de contextos fictícios e personagens que só existem na cabeça do sujeito que desenvolveu a esquizofrenia. O surto é uma implosão de coisas internas reprimidas que causa uma explosão de verbalização como uma metralhadora atirando para todo lado. Isso em casos onde a pessoa tem um minimo de estudo, vivencia, experiencia e inteligencia de vida. Em casos de pessoas humildes que não tiveram acesso a cultura, educação e saúde, pode ser que a pessoa entre na “fantasia psicótica” e nunca mais volte.

Eu consegui voltar por picos de iluminação interna, por meditação intuitiva, por ajuda de pessoas, psiquiatras e psicólogos, internações e até mesmo maconha. Maconha foi um relaxante mental essencial para eu suportar todo falatório mental das vozes, que por vezes eram incessantes. Eu voltei para a realidade, mas eu não mais o mesmo de antes do surto. O surto modifica quando compreendido pelo sujeito.

Todo surto é traumático. Pode ser causado por traumas? Claro, mas o surto em si é um trauma a parte, que o sujeito vai sentir só depois de um tempo após o surto. O sujeito pode sentir vergonha da sua condição (sensação essencial para a consciencia se religar no sujeito) com também pode haver casos de suicídio por não suportar e admitir a doença. É a onde entra o pós-surto.

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Entre o surto e o pós-surto, é o momento ideal para psicoterapia intensiva. O que é isso? Desconstruir as fantasias que o sujeito verbalizou no surto: Por exemplo, o sujeito verbaliza que Edir Macedo está querendo matar ele. Caso clássico de medo e perseguição envolvendo situação religiosa.

O que fazer nesse momento? O mais óbvio de tudo: questionar a fantasia do sujeito. 
Mas como? Da maneira mais intuitiva e improvisada que voce conseguir.

Se o sujeito acredita que Edir Macedo está querendo matar ele, comece questionando quem é o Edir Macedo, depois questione porque ele quer matar ele, e depois questione a morte, se ele sabe o que é a morte, se ele sabe porque isso pode acontecer, se ele sabe em que momento o edir macedo vai matar ele…

Ou seja, explore a fantasia, e ao mesmo tempo, desconstrua dando argumento de realidade para o sujeito que está pura fantasia.

Pode ter carga inconsciente no discurso do paciente? Pode, mas também pode não ter nada inconsciente, e seja manifestação da criatividade fantasiosa ou algum mecanismo de fantasia que ele criou para viver uma realidade paralela, e que no surto, se manifesta pela verbalização.

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Deixo claro que estas técnicas nunca foram testadas por mim em nenhum outro caso de esquizofrenia, mas que com a experiencia que tive dentro do contexto, e com o estudo e conhecimento que tenho de vida, posso lhes dar uma alternativa mais viável para a cura da esquizofrenia.

E O MAIS IMPORTANTE: Se não existe qualquer tipo de coágulo, tumor ou distrubio neurológico no sujeito, a esquizofrenia é uma consequencia da produção psiquica, cultural e social da formação do sujeito e de suas fantasias internas criadas para aceitar a realidade externa.

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São apenas algumas dicas que posso dar para aqueles que não possuem a doença e querem ajudar alguem, desconhecido, familiar ou amigo, a voltar para a realidade após um surto esquizofrenico.