Dias de primavera | Semana 4

É curioso perceber a evolução das minhas atitudes como fotógrafo.

Durante as minhas sessões de terapia, um papo recorrente é a exposição, a saída da zona de conforto. Por muito tempo deixei de explorar coisas pelo simples medo de não saber o que há lá fora. Aquela grande bolha que criamos em nós mesmos como uma forma de proteção.

I built a wall.

A fotografia tem me ajudado bastante a sair da zona de conforto. Acaba sendo irônico, pois um dos motivos pelo qual abracei fortemente esta arte foi o fato de, a princípio, não precisar me relacionar com as pessoas; na minha cabeça seria apenas eu e a câmera, apenas isso, olha que lindo!

No entanto, a cada dia que fotografo, a cada trabalho, percebo o quanto estava errado, percebo o quanto preciso me relacionar com as pessoas, conversar com elas, entrar em algum nível de sintonia se eu quiser melhorar, tanto como pessoa quanto como fotógrafo.

E essa semana me peguei socializando com pessoas que nunca vi na vida, conversando sobre o meu trabalho, tentando vender minhas arte. Com certeza o Adalton de três, quatro anos atrás não conseguiria se imaginar fazendo isso tamanha era a aspereza do muro.

Ainda nesta semana, peguei-me dirigindo modelos para um editorial de moda. E lembrando das ideias do fotografo Marcos Fraresso: “o segredo da direção de pessoas é saber o que você quer.” Vendo o resultado, fiquei me questionando: “Eu fiz essas fotos? Sério mesmo que fiz essas fotos?” Para logo em seguida dizer: “Eu fiz essas fotos.”

E a cereja do bolo foi o ensaio do peLados.

Apesar de ocorrido na semana 3, fui parar pra refletir sobre o resultado apenas nesta semana. Este ensaio foi um marco para mim e para o projeto: foi o primeiro que fiz cujo fotografado me era complemente estranho no sentido de: fora dos meus círculos sociais. Embora tivéssemos conhecidos em comum (convenhamos, isso é praticamente uma regra para se viver em Salvador), não sabíamos da existência um do outro até eu começar a abordagem para o convite de posar pro projeto. Até então, tive apenas amigos posando pro peLados.

Aproveitei também para experimentar uma técnica recomendada pelo Neto Macedo, grande fotógrafo incentivador do uso de analógica: cobrir a tela de lcd da câmera, não ficar a todo momento vendo as fotos tiradas, isso traz mais conexão com a pessoa fotografada e o ensaio flui que é uma maravilha.

E que resultado isso deu, hein! Que resultado…

Daí, refletindo sobre essas vitórias, toco no meu ombro e digo: “parabéns, cara! Você merece!”

É muito bom perceber essas evoluções que a fotografia tem me proporcionado.

E assim seguimos quebrando tijolos nesse muro.

Um de cada vez.