Como a crise no Rio Grande do Sul afetou pequenos negócios da Azenha

Alice Ricaldone Dez/2016

E m junho de 2016, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori anunciou um pacote de emergência para tentar equilibrar as contas públicas estaduais. Em agosto, A taxa de desemprego subiu pelo terceiro mês consecutivo e fechou em 10,7%. E em setembro a crise que atinge o estado chegou até o negócio da empresária Camila Rocha Rehm, que teve que demitir um dos poucos funcionários da sua loja de móveis na Azenha.

Assim como a loja de Camila, muitas outras empresas de pequeno porte operam com um fluxo de caixa apertado, pois tipicamente elas não têm muitos recursos disponíveis. O dinheiro entra e sai rapidamente, quando um cliente atrasa o pagamento, todo esse ciclo fica em risco. É como se fosse uma bola de neve, explica a doutora em Administração e professora da ESPM-Sul, Frederike Mette. “O comércio é um dos setores mais afetado por causa do alto relacionamento com o cliente final, estes consumidores estão consumindo menos, isso gera menos lucro para as lojas que com menos dinheiro entrando, acabam tendo que cortar custos.”

Ao notar queda nas vendas e na lucratividade da loja, o primeiro passo de Camila foi cortar custos diminuindo o número de funcionários. “Quando eu vi que as contas não iam fechar eu tive que demitir um funcionário, era isso ou fechar a loja." relata Camila. Uma situação parecida aconteceu com outra empresária da Azenha, a dona da loja Shampoo e Cia, Rosane Vieira da Costa, ela resolveu manter apenas dois funcionários e desistir de contratar um terceiro como tinha planejado. “Eu vi o número de vendas diminuindo e decidi dar uma segurada, não é uma boa hora para acumular mais despesas.” De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), produzida pelo IBGE, e divulgada em novembro deste ano, o Varejo Ampliado (abrange os segmentos Veículos, motos e peças; Material para construção e Varejo restrito) gaúcho registrou em setembro, uma queda de 10,0% nas vendas em relação ao mesmo mês de 2015, mostrando que o comércio segue enfrentando dificuldades, resultado de um mercado de trabalho bastante enfraquecido e a renda das famílias ainda em queda.

Durante uma crise financeira como a que acontece no Estado, os consumidores optam por pagar mais a prazo, já que eles também estão esperando por pagamentos de salários atrasados. A empresária explica que as compras na Móveis Barbadão, loja que administra, são 80% das vezes, pagas à prazo. “Nós paramos de trabalhar com cheque. Agora só com o cartão, com ele eu recebo direto do banco e isso evita inadim- plentes.” De acordo com dados da Serasa, em outubro de 2016, o percentual de cheques devolvidos no Rio Grande do Sul chegou a 2,22% do total de cheques com- pensados, maior que a devolução de 1,97% registrada em setembro/16. Outros dados que mostram a situação financeira difícil das famílias e empresas de Porto Alegre, podem ser visto na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do consumidor realiza- da pela Fecomércio-RS, que mostra o total de endividados na cidade e o tipo de dívida contraída.

A crise econômica afeta as empresas de todos os tamanhos indiscriminadamente. As pequenas sofrem, os reflexos da dificuldade das grandes corporações, e os reflexos de um consumidor, com menor poder de compra e índice de confiança (ICC) em baixa histórica. Ameaçadas, as empresárias Camila e Rosane procuram reduzir custos e encontrar soluções de curto prazo para fazer mais com menos e não aumentarem as estatísticas de fechamento de em- presas.

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