Por uma internet com menos cocô de unicórnio.


Sempre fui uma pessoa cheia de ideias. Tenho tanta coisa habitando a minha mente que algumas vezes elas extrapolam em forma de ataque de pânico. Então um amigo me deu um conselho: a escrita serve como catarse, Adele, pode aliviar as tuas crises de ansiedade, ele dizia.

Foi aí que resolvi começar a escrever, mas antes de escrever sobre assuntos mais profundos, eu precisava treinar, então eu comecei a escrever textos sobre marketing no blog da agência onde trabalho.

Sou diretora de arte e, como a maioria dos diretores de arte por aí, começo meu processo de criação procurando por referências e exemplos de coisas que já foram feitas sobre determinado assunto ou área. Resolvi então usar esse mesmo processo criativo na escrita. E lá fui eu, feliz e serelepe, atrás de textos e conteúdos pra me inspirar.

Comecei fuçando pelas coisas que estavam nos favoritos do meu no navegador pra ver o que tinha de interessante por ali. Abri meu reader, meu facebook, meu twitter e alguns sites que eu visitava sempre e, depois de uma hora, percebi que tinha caído num buraco de procrastinação. O empurrão inicial foi um vídeo postado no facebook onde um gatinho dizia “magoei” pro seu dono enquanto tomava banho, e depois desse veio outro vídeo engraçadinho, e depois outro.

E foi assim que eu perdi a primeira hora da minha busca por inspiração.

Olha que fofa!!!

Quando percebi que tinha caído no buraco da procrastinação eterna, fechei a página do facebook e foquei no reader. Achei que lá encontraria mais coisas interessantes e relevantes. Ledo engano, meia hora depois me peguei divagando dentro de um post do buzzfeed com o título “31 fotos que vão deixar sua vida significativamente melhor”, a foto 31 era de uma raposinha sorridente. Ninguém resiste a uma raposinha sorridente!

E assim gastei quase 3 horas do tempo que reservei pra escrever. Vendo fotos dos bebês das minhas amigas no facebook, um vídeo de uma receita de brownie com cerveja, uma matéria sobre o buraco na bunda da Andressa Urach, uma lista de fotos de bichinhos bonitinhos que prometiam melhorar o meu dia e mais uma infinidade de coisas que não me agregavam nada. Meu navegador estava infectado com conteúdo inútil.

Quando você usa um mesmo navegador, um mesmo perfil de facebook, um mesmo e-mail e as mesmas coisas a mil anos, a rede identifica o seu comportamento e começa a te mostrar mais das coisas que você sempre vê.

Sempre mais do mesmo.

Todo mundo sabe que isso acontece, só que ninguém percebe. Isso costuma acontecer muito no facebook. Quando você da um like em uma foto de um bebê elefante tomando banho de piscina no sol, o facebook percebe que você gosta desse tipo de conteúdo e vai dar prioridade pra tudo que tem a ver com elefantes tomando banho, e isso se repete em quase todos os sites que você frequenta. Até as buscas que você faz no google se adaptam ao seu comportamento.

Eu não acho que esse tipo de conteúdo cause um mal direto. Dar uma risadinha aqui ou ali até serve pra relaxar, o problema é que viver desse tipo de conteúdo o tempo todo vai emburrecendo a gente aos poucos.

Nos acostumamos a dar mais atenção a um vídeo do porta dos fundos do que a um texto que explica a situação política do nosso país, porque é claro que o vídeo é mais legal. Mas você não vai poder usar o vídeo do porta pra escolher em qual candidato vai votar (não faça isso, por favor… sério).

Apelidei esse tipo de conteúdo de "cocô de unicórnio", porque é super doce, colorido e gostoso de consumir, mas continua sendo cocô. Fora que todo mundo sabe que comer doce demais faz mal pra saúde.

Ter uma alimentação balanceada é tão recomendável quanto consumir informações com conteúdos relevantes. O ideal é focar em textos mais saudáveis, que incentivam a produtividade e a geração de conhecimento ao invés de se entupir de cocô de unicórnio do dia inteiro.

A dica é começar dando uma bela limpada nos feeds e acrescentando mais textos inteligentes ao nosso cardápio internético.

Conteúdos mais nutritivos alimentam a mente e nos deixam fortinhos.

Além de moderar o conteúdo que consumimos, precisamos prestar atenção também nos conteúdos que compartilhamos. Seria legal ver mais gente escrevendo e divulgando textos instrutivos do que gente falando mal da Dilma enquanto ensina a fazer um purê de batatas.

Claro que ninguém quer que a internet fiquei chata e cheia de textões enormes que falam sobre política, precisamos ter cuidado pra não Belagililizar as coisas, mas não custa nada tentar deixar a internet mais rica e saudável, né não?

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