Semáforo

Merda, sinal vermelho. Meninos se aproximam, querem limpar o para-brisa do carro por moedas. Alguns fazem ponto no semáforo, oferecem chocolate, prazeres, folhetos e balas de goma. Não, obrigado. Fecho rápido o vidro e noto que um deles me fita, depois outro, e mais outro, afasto os olhos para a calçada, para as pessoas cabisbaixas, fixas nos celulares. Mas eles se mantêm incólumes do lado de fora, magros, muito magros, vestindo molambos e descalços. Moço, me dá uns trocados? Tio, tenho fome, por favor. A miséria do lado de fora encosta o rosto no vidro e passa a língua de cuspe. Com o braço esticado, bate na porta, outra vez na minha direção. Canso. Tiro umas moedas do bolso e as distribuo. Queria saber mais sobre os meninos. O sinal verde me obriga a seguir.

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