Modernistas

Havemos de Oswaldandradear:
Pelas ruas imperiais
Pelas pontes imperiais
Palmeirais imperiais

Ao lembrarmos Pasárgada, a Veneza não brasileira,
do meu caro Manuel Bandeira

Ode ao Burguês digamos outra vez
Há uma gota de sangue em cada poema

Ode ao Brasil
Ode a Tarsila do Amaral
(ode à musa modernista de nosso carnaval)

E ao cair da tarde 
Que caiam confetes e serpentinas
E esbocem de Paulo Prado:
O Retrato do Brasil
pendurado na parede da esquina

Que renasçam e recantem:
Canaã (sem Aranha nem graça)
Juca Mulato
A esteta Anita Mafaltti
Ao compasso de Lobos
No teatro municipal de São Paulo

Que venham tantos outros rostos
Outros tantos Pré-modernistas
Modernistas
Pós-modernistas
Resgatando a literatura de bares e de praças
representada nas vielas e sarjetas da vida

Todavia seremos Drummondianos:
No acaso desta fase
Metapoetas
Cantaremos as dores do vício
Os desamores dos velhos
A solidão da garrafa e do mundo
sobreposta na mesa

Seremos o limão n’ água
O Lima
A lixa
O Mendes
É preciso ser assim (e seremos)
Somos bárbaros
Avante
Ficou chato ser moderno
Pois a maioria se foi, porém,
Gravemos a poesia em nosso epitáfio
Bem assim…
Desse modo
Agora, seremos eternos

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