1 de Maio de 2013

Enchem a boca de juras de realismo, assentes em raciocínios e frases de sólido bom senso: « não podemos viver acima das nossas possibilidades» ou « o Estado Social será aquilo por que os portugueses estiverem dispostos a pagar e não pode continuar a gastar mais do que aquilo que produz» ou, ainda, «as obrigações assumidas são para cumprir».

Debitam, ora com monotonia robotizada ora em tom arrogantemente professoral, pesados avisos acerca da hecatombe que destruirá a Pátria em caso de se concretizarem criminosas intenções de discutir a bondade das suas políticas, que são, claro, duras mas inevitáveis (como aqueles professores de antigamente que explicavam, depois das palmatoadas, que «é para teu bem, mais tarde vais agradecer-me»).

Ilusionistas de truques cada vez mais evidentes aos olhos do público, saudado por pateadas e vaias, malabaristas canhestros que se atrapalham com as clavas e deixam caír as bolas e, por isso, alvo de tomates maduros e assobiadelas, este governo relvista erra nos números, pratica a langue de bois do pensamento único, é hipócrita, mentiroso e incompetente.

A ignorância da maior parte dos seus integrantes, com o seu pomposo e patego linguajar pseudo-técnico e o seu irritante pretensiosismo, só parece menos ridículo do que, de facto, é porque já causou um cortejo de dramas, um exército de desempregados, um maremoto de emigrantes, fome, doencça e morte. E meço as palavras.

O seu pretenso realismo vai levar-nos-ia, a todos, a um real desastre – e, aqui, resisto à citação. do «slogan» de Maio de 68 mas não resisto à frase feita – de êxito em êxito até à catástrofe final. E, se uso o condicional, é porque sei que, antes disso e embora já muito combalido, o Povo português remeterá estes relvistas para o lugar que merecem.

É que a realidade tem muita força…

1/5/2013

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