A DESOBRIGA, O DIABO E O FOGO DO INFERNO

A propósito do episódio porno-político-clownesco da obra obrada pelo arquiteto Saraiva e do seu merecido lançamento público, foi trazida à colação a palavra “desobriga”.

Ao que parece, o aparolado ex-futuro apresentador da obra em questão (coitado…), embora tivesse reiterado, já depois de conhecida a natureza escatológica da empreitada, a sua inabalável decisão de informar o universo dos leitores sobre as virtudes (cívicas? literárias? educativas?) da obra de Saraiva porque “não volta com atrás com a palavra dada “ (sic), foi desobrigado de o fazer.

Ora, a palavra “desobriga” está indelevelmente ligada, na minha memória, a um dos períodos mais negros e dolorosos da infância: a frequência, durante dois anos, de um colégio de jesuitas instalado num casarão soturno, dentro do qual me vigiava o bando sinistro de de negros corvos assustadores e maléficos dos reverendos padres.

Se bem me lembro, a palavra vinha quase sempre associada a uma outra: “pascal”. Era a “desobriga pascal”, o cumprimento de alguns deveres ritulísticos sem o qual as almas absolutamente aterrorizadas dos pequenos infantes arderiam para sempre, “per saecula saeculorum”, num inferno ígneo saído de filmes de terror da Hammer.

Não é, certamente, por acaso que tais pensamentos se encadeiam; e também não é preciso ser um génio nem um profissional da psicanálise para concluir que há uma óbvia associação entre o diabo que o apatetado Coelho de Massamá (o pobre…) invocou para chegar em Setembro, a “desobriga” perante esse Mefistófeles suburbano que é o Saraiva dos sacos de plástico e os terrores nocturnos que a padralhada das Caldinhas semeou na minha loura cabecinha de 9 anos.

21/9/2016

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