00:00 em Paris e 00:58 em BH

Imagine que o passado guarde as melhores histórias. O futuro se torna um lugar mais confortável. O presente não. É abominável em todas as suas formas, porque obriga viver e sentir.

A unanimidade de todas as épocas é o amor. Passado, presente e futuro coexistem nele, com pessoas e lugares apaixonantes — Paris é um deles.

Eu nunca fui a Paris.

Gil sim. Um escritor que viaja no tempo e tem sua história contada em pouco mais de uma hora, em paleta pastosa e amarelo vibrante. Em todas as épocas que vive, confirma a unanimidade do amor.

No início está certo de seu casamento (afinal, eles se acertam nos detalhes menos importantes). Depois, se apaixona pela musa inspiradora dos ídolos do passado. Sua jornada termina com uma possibilidade, que concorda que Paris é mais bonita na chuva.

Eu nunca fui a Paris. Diferente de Gil, que quer morar lá.

Mas como ele, eu odeio o futuro. Porque é volátil, é um momento depois de agora. E agora é tão incerto que dá vontade de voltar pro momento anterior. Pro passo conhecido.

Eu não conhecia Woody Allen. Assim como nunca fui a Paris.

Nosso primeiro contato falou do que se foi, de quem se é e do que virá. Nele, concordamos que saudosismo também é sentimento unânime de todas as épocas.

Saudade, amor. O mundo inteiro muda e a gente se desfaz de tudo que é material. Ainda que com apego. Sentimento é unânime a todas as épocas. Seja ele conhecido ou não. Em Paris de 2010, 1920 ou 1890.