Mãe, valeu a pena.

Hoje eu quero homenagear aquela que me deu à luz. Duas vezes.

Ela foi o instrumento de Deus para que eu viesse ao mundo com vida. Carregou-me 9 meses e cuidou todo o tempo para que eu estivesse saudável, aquecida e emocionalmente bem. Não consigo lembrar da minha infância sem que não veja a sua imagem. Sim, vejo minha mãe na pia (principalmente) a lavar pratos e a cozinhar. A cantar sempre e vez por outra citar versículos memorizados. Quando cresci, descobri que ela fazia isso para vencer as batalhas espirituais diárias, que hoje conheço muito bem. Vejo minha mãe segurando minha mão a andar pelas ruas aos sábados, quando íamos para a igreja, ao círculo de oração infantil. Lembro dela na frente do grupo, ouvindo os números dos hinos da harpa sugeridos pelas crianças, e, antes que abríssemos o hinário, lá estava ela cantando, pois sabia decorado os hinos da harpa cristã pelo número. Lembro dos cultos diários lá em casa, quando depois de cantarmos três hinos da harpa, ficávamos silenciosas ouvindo sua voz a ler o texto bíblico da lição da escola dominical e depois a leitura da verdade prática. Lembro-me de suas orações… principalmente da frase: “Perdoa os pecados que cometemos por pensamentos, palavras e obras…”. Lembro-me de como todas as noites, depois de estarmos devidamente deitadas e com a luz apagada, ela fazia o “giro” para ver se estava tudo certo. Lembro também que quando eu resolvia levantar-me para ver o que ela estava fazendo, a encontrava ou lendo ou orando. Lembro também das minhas manhãs. Todos os dias, ao acordar, depois de colocar a água do café para ferver, ela sentava com a sua bíblia e lia… Há apenas 3 anos descobri que essa prática era resultado de um voto que fizera quando jovem, de ler a Bíblia toda, todos os anos. Essas são as memórias da minha infância.

Depois que casei e tornei-me mãe, tive o privilégio de tê-la em minha casa para me ajudar com a bebezinha recém-nascida. Suas primeiras orientações ainda ecoam na minha mente. Naquele momento tão delicado, de tantas incertezas sobre o futuro daquele frágil bebê que estava em meus braços, ela revelou-me: “Naná, desde que me tornei mãe, não cesso de orar por vocês. Oro o tempo todo. Nós nunca sabemos o que pode acontecer. Mas principalmente, quando as coisas estão bem, eu agradeço a Deus”. E então me lembrei da infância, das suas orações, dos hinos… Era tudo fruto de um coração agradecido e dependente de Deus. Nesses dias em que esteve em minha casa, por diversas vezes peguei minha mãe sozinha, lendo a Bíblia, cantando os hinos da harpa e orando — isto é, fazendo o seu culto doméstico. Sozinha. Então percebi que nada nem ninguém poderá separá-la do amor que tem por Cristo.

Ela foi também o instrumento de Deus para que eu nascesse da água e do Espírito. Não preciso dizer que sua fé me inspirou e me impactou, que seus ensinamentos me trouxeram vida. Sim, a primeira vez que a mensagem da cruz “saltou” diante dos meus olhos foi num dia comum, como aqueles que acabei de citar, numa manhã ao fazer a leitura “obrigatória” da bíblia. Ela havia me dado um Novo Testamento ilustrado. Eu já havia lido várias vezes, mas neste dia, de forma sobrenatural, a mensagem da cruz me tocou profundamente e eu senti a minha condição diante do Deus santo, que, naquele momento em que lia, estava despejando toda a Sua ira em Seu Filho santo Jesus. Não, Ele não merecia. O castigo era meu, mas Ele assumiu em meu lugar. Que maravilha! A luz raiou naquele momento. Eu tinha aproximadamente 9 anos. Aos 12 anos, com o coração cheio do Evangelho e impactada com o exemplo santo e piedoso de minha irmã mais velha — também educada por ela, fiz um pacto eterno com Deus.

Mãe, de todas as alegrias que esta breve vida pôde me dar, com certeza, a maior delas foi ter conhecido o Senhor através de você. E eu soube a importância disso em diversos momentos da minha vida (alguns deles posso lembrar vividamente, como os que citei acima), mas recentemente, tive uma experiência muito profunda que deu ao seu incessante trabalho uma medalha de ouro. Sim, mãe, nos últimos seis meses experimentei bem de perto a possibilidade de morrer. Nos episódios súbitos que tive, ao acordar e ouvir dizer que sofrera uma espécie de “isquemia” ou algo bem grave, senti-me entre a vida e a morte. Foi uma forte experiência. Nos instantes em que minha consciência retomou, o que mais pensei foi na possibilidade de partir daqui. Sim, nesse momento senti uma profunda paz e um enorme desejo de ver Jesus. Eu não sei explicar exatamente o que senti, mas foi essa a sensação. E nos dias seguintes, senti uma profunda gratidão pela sua vida piedosa no lar. Depois disso, passei a compreender mais claramente as palavras do apóstolo Paulo quando disse: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1:21–24).

Mãe, não há nada neste mundo que pague esse sentimento de ter a sua alma salva. Hoje, mãe, o meu maior bem é sentir essa salvação jorrando dentro de mim e toda vez que me alegro, lembro de você. Mãe, como posso agradecer? O que posso fazer? A melhor forma que encontrei para retribuir isso, foi tentar reproduzir sua vida e piedade dentro do meu lar com meus filhos. Não sei se terei a oportunidade de vê-los crescidos e salvos em Jesus. Mas lutarei até o último dia da minha vida para vê-los no céu. Sim, porque hoje eu sei que a separação física não se compara com a eternidade que viveremos no lar celestial. Posso até perder pessoas amadas neste mundo, mas viver sem elas na eternidade é uma realidade que não quero experimentar. Por isso, mãe, independente dos dias que nos restam aqui, quero poder viver eternamente com você e com os filhos que Deus me deu. Essa é a minha alegria aqui e a minha coroa lá.

São estas as minhas palavras, mãe. Obrigada por tudo. Sei que você vai ler e vai dizer que não é o que falo, pois a humildade verdadeira é a sua marca. Você sempre se subestimou. Sempre achou que era incapaz. Mas a sua capacidade não vem de você, vem de Deus. Nas suas imperfeições, Deus trabalhou e preparou para que hoje pudesse ver o fruto do seu clamor, orações, lágrimas, trabalho. Valeu a pena. Pelo menos por mim.

Um beijo. Eu te amo. Feliz dia das Mães.

Sua filha, Naná.

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