Time — Hawking e Floyd

Ei, menina! O céu azul e a mata verde e distante têm cheiro de liberdade. Circundam um ambiente em que o vento sopra livre e indica a direção. Sente o toque frio e delicado quem quer sentir, as anestesias estão aí. Nesse lugar, perto na perspectiva vislumbrada pelos olhos, distante quanto ao percurso feito pelos pés, as pessoas tomam os seus mais diversos tipos de anestésicos.

Alguns se enterram em uma pilha de livros, são estuprados por informações. Sonham com o futuro, enquanto no presente ilustram um quadro pesado… Estão gelados sentados em uma cadeira. Alguns, não sei te dizer por quê, de alguma maneira escutam (escutam mesmo!) nas suas mentes barulhos de relógio. Relógios que tic-tacam rápido, enquanto o tempo, entidade mística para os físicos, segue a sua misteriosa e paradoxal eterna instabilidade. Pra alguns ele passa tão rápido, pra outros tão devagar, mas o fato é que se impõe sempre — em intervalos de segundos, minutos e horas. Dias, semanas, meses, anos: assim um homem de nariz empinado convencionou. Você, enquanto isso, se condiciona onde melhor entende… Eu não sei onde é. Nós nunca sabemos nada ao nosso respeito, só sentimos. O mundo chora por empatia, ninguém escuta. Meus ouvidos sangram.

Disseram-me hoje que o importante é ser feliz. Extraí por aí, de várias transmissões, que felicidade é perspectiva. Compreendi o mundo externo como um astronauta vindo de Vênus. Astronauta que se condiciona em vida fora do planeta Terra, mas está preso em sua órbita. Aprendi hábitos, medos, trejeitos e aspirações dos terráqueos. Por vezes meu olhar se volta pra eles com sem igual intensidade, por vezes meu olhar se volta para a bela imensidão do espaço. O trajeto de volta para casa é desconhecido, mas a órbita é como uma roupa que não mais me cabe. Flutuo. O destino é aquilo que conhecemos como o mais desafiador infinito.

15/06/2016

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