Sobre as certezas da vida

Estava conversando com uma amiga e ela estava me contando sobre sua insatisfação em trabalhar num local que não tem nada a ver com os valores dela, mas paga bem. Ela está pensando em engravidar, e dentro desse planejamento entra, é claro, a preocupação em ter dinheiro para prover tudo para o bebê. Portanto, essa saída do emprego, segundo ela, precisa ser pesada direitinho.

Isso me levou a pensar: do que precisa um bebê? Ah, que pergunta óbvia! Precisa de leite, de carinho, de carrinho, de quarto, de berço, de roupinhas, de fraldas (muitas, eu acho), de algodão e pomada pra assadura. De escovinha e decoração pro quarto. De sapatinhos. De pano de boca e roupa de cama. Acho que essa é uma lista bem básica, que com certeza alguma mãe diria que está incompleta.

Mas será que ela está incompleta mesmo? Qual é o foco quando pensamos em engravidar? O que deseja um casal quando pensa em ter filhos? Claro, essa pergunta não tem uma só resposta. Mas, peraí! Existe alguma outra resposta possível além de “para ampliar o amor”? Quando um bebê chega ao mundo, ele vem pra ampliar o amor. O amor da casa, da família, dos amigos da família, do mundo. Ele vem pra alegrar, pra criar, para ser ele e ser parte, para ser feliz. Ele espera ser acolhido, ser ninado e ser consolado. Espera ser ouvido, espera olhar nos olhos da mãe. Espera ansiosamente que as maravilhas do mundo sejam apresentadas a ele, com brilho no olhar. Espera ter orientação sobre os caminhos que deve seguir na vida. Anseia em dividir seus sonhos, em ter voz. Ele vem pra somar, pra trocar.

Agora, me pergunto: será que em um mundo materialista como o nosso, a gente se lembra disso quando vem o bebê? Será que foi o bebê que pediu pra ter o carrinho mega ultra poderoso de três rodas que faz até café?! Será que ele implorou pra ter um quarto com decoração impecável?! Acredito que, se fosse dada a voz a um bebê pra falar sobre o assunto, ele diria que só impôs uma condição para nascer: ser amado. Ser verdadeiramente amado. E amar uma criança é orientá-la. É dizer sim e é dizer, em outros momentos, não. É mostrar que ela pode ser quem ela quiser, desde que respeite as pessoas e os animais. É educar. Amar é educar. Ela pode até ter um bercinho lindo. Mas o que ela quer mesmo é SER e não TER.