Sobre a natureza do amor

Sobre a natureza do amor, eu poderia dizer que sua concepção vem de uma combinação química de adrenalina, noradrenalina, feniltelamina, dopamina, oxitocina, serotonina e endorfinas, o que não estaria errado. Mas a natureza do amor é muito mais complexa do que isso. Talvez nem a química explique totalmente o que é o amor e como ele se dá, talvez nem mesmo toda a ciência seja capaz de um dia explicar.

Talvez ninguém consiga explicar o toque

O beijo

O lascividade do olhar

O sorriso incandescente

Os gestos calculados

A timidez que deixa nossa voz trêmula

O toque que teima em revolver-se e fixar-se em um canto distante

Mas e se o amor for uma aventura?

Uma aventura na qual estaríamos dentro, sobrevivendo a cada obstáculo imposto pelo destino, dançando cada objetivo estabelecido, por mais banal que ele pareça.

O amor pode ser aquele pequeno gesto de ternura para com a outra num momento de tormenta.

Pode ser aquele bolo de laranja fresquinho feito para abrir um sorriso e saciar a vontade

Pode ser a areia que toca a tua pele delicadamente para não arranhar.

Pode ser o som do mar ao bater de encontro às pedras.

E se o amor for o fortúnio do destino, o fado da vida humana, sem saída, sem escapatória?

E se todos os nosso toques e gestos forem frutos da nossa natureza desacompanhada e solitária, que ao se deparar com o outro, descobre que consegue sentir algo muito profundo por aquele ser, e, assim, sem mais nem menos, percebe que está querendo não mais viver solitária, e sim acompanhada de daquela pessoa?

Se todas as explicações do mundo forem possíveis, nenhuma delas conseguirá descrever o amor que tenho por ti, que dentre todas as belezas do mundo, é tão intenso e formidável quanto o brilho do orvalho pela manhã sob as folhas verdes e as flores cheias de cores, ao cantarolar de bem-te-vis e bater de asas de beija-flores.

E nem todos os pássaros do mundo poderão cantarolar de maneira tão bela quanto o meu amor por ti.

E nem todos os bolos de laranja do mundo terão um cheiro tão delicioso e calmante quanto o teu junto ao meu em uma noite fria e de lua cheia.

Pois por ti sinto que meu peito

Bate

E rebate

Por milésimos de segundo infindáveis.